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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Pela ruralidade - CLXVII(A nassa)

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Aquilino Ribeiro e Bento da Cruz autores que já fui lendo, a cada passo nas suas obras, falam dos putos que iam aos ninhos, obras do século XX. Todos nós sabemos que a miudagem quando saía da escola a meio da tarde, não tinha como agora entreténs: televisão, computadores, telemóveis não havia, muito menos levar e ir buscar os meninos à escola nos popós ou nas carrinhas.

Então ir aos ninhos era uma aventura que também aguçava as capacidades de descoberta da rapaziada. Se ninhos de pegas ou gaios, nem pensar, pois normalmente eram feitos no cimo de grandes árvores. Mas já os ninhos de carriças, abobadados com uma pequena entrada circular; verdilhões; papa-figos; picapau, como o nome indica feitos nos troncos das árvores com um buraco circular martelado pelo forte bico, como se fosse um trado; cerejinas; poupas, pássaro lindo mas faz o ninho de trampa; pintarroxos; chascos; piscos; lavandiscas; mejengras; pintassilgos com a sua plumagem domingueira e o seu cantar que era um mimo; havia também os ninhos de andorinha, mas esses eram respeitados, eram consideradas aves do céu, Aquilino Ribeiro no seu livro “Arcas encoiradas” designava-as de pitas de Nossa Senhora ; Já os de rola eram mal amanhados, mesmo muito pobretanas, o que é incompreensível, pois a rola tem uma certa finesse; mas os mais apetecidos eram os de melro, bem estruturados tipo covilhete avantajado; eram seguidos desde o “choco” até aos filhotes já prontos a voar, era então a altura de lhes deitar a unha com toda a perícia para não darem às de vila diogo. E ninhos de pardais? Ah! Das minhas memórias tenho uma que me ia saindo cara; numa fenda dum choupo velho, vi que havia um ninho de pardal com filhotes; meti a mão mas depois tive fortes dificuldades em tirá-la. Safa! Desta safei-me, mas apanhei cá um cagaço!...

Mas e então no Outono e Inverno quando não há ninhos? Aqui entra a nassa, também se chama caniça. Armadilha piramidal feita pela rapaziada, era colocada em locais estratégicos com iscos (milho, centeio ou bocadinhos de pão). Os pássaros, na busca do granjeio, pisavam um cai cai que fechava a nassa. Depois era a captura, os entalados mais apetecíveis eram os gaios, pegas e sobretudo os melros que tinham como destino a sertã. Mas isto não tem nada de espanto, pois não há muitos anos, como por aqui já falei, na Rua do Bonjardim, à Cancela Velha, numa casa de pasto ainda hoje aberta se bem que noutros moldes, passarinhos fritos eram a coqueluche dos engravatados citadinos que aí iam petiscar, emborcando umas cervejas intervaladas com um verde amarantino, que punha o pessoal corado e a sair porta fora a arrastar e a trocar as gambias balbuciando bocas empalhadas, sem nexo. Estas cenas eram mais visíveis quando o FCP jogava com os rivais de Lisboa, e se ganhava os doentes da bola apanhavam cá uma carraspana, uma “nassa” de todo o tamanho.

 

  Ant.Gonç.(antonio)

 

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