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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Memórias da guerra colonial

Este título do meu post em qualquer crónica da imprensa dava direito a ir dentro, antes do 25 de Abril de 1974. Quando muito aceitava-se, guerra nas províncias ultramarinas, se bem que a palavra guerra era por si forte.

Muito já se tem escrito sobre os 13 anos da guerra colonial e eu também já por aqui dei o meu contributo com “crónicas da guerra”.

Hoje lembrei-me de dar mais umas achegas sobre o desenrolar das campanhas em África, como eufemisticamente gostavam que se dissesse. As marcas quer físicas, psicológicas ou recordativas são apanágio daquela rapaziada que hoje estão na casa dos sessenta e setenta. Os encontros anuais são a prova disso, tal como os catraios que se recordam do primeiro brinquedo que o avô lhe deu.

Não há guerras boas no terreno, e esta também não fugiu à regra, muito embora os generais nos corredores alcatifados com ar condicionado se fartassem de fazer chegar às redes internacionais que tudo corria com acções psicológicas e de humanidade com os nativos.

Como fui militar do arame farpado (leia-se, os aquartelamentos no interior de Angola  eram de pavilhões pré fabricados mais parecidos com cardenhos, rodeados por rede de arame farpado) tinha conhecimento do desenvolvimento das patrulhas na picada. Então era ouvido a esse pessoal que quando os “turras” atacavam se houvesse hipótese de lhes limpar o sebo não escapava um, mesmo que um ou outro se pudesse fazer prisioneiro. E agora os meus eventuais leitores podem ficar escandalizados com tamanha desumanidade. Eu disse atrás que não há guerras boas. Então se havia a hipótese de deitar a luva a um “turra”, qual a razão de tal muitas vezes não acontecer?

Pois é, prisioneiro que se fizesse era entregue à PIDE/DGS, era-lhe feito interrogatório sobre locais de acampamentos dos “turras”. E se o infeliz abrisse a boca, tinha que abrir com os métodos pidescos, lá vinham para o comando dos batalhões dicas sobre o “in”. Daí resultavam operações que resultavam sempre em porrada grossa com consequências de parte a parte. Está pois explicada a relutância que a tropa no terreno mantinha sobre as informações da PIDE/DGS.

 

 

  Ant. Gonç. (antonio)

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