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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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"A menina dos cinco olhos"

Quando começamos a entrar na idade, como sói dizer-se, recordamos peripécias da juventude e descuramos outras mais recentes. Lembrar os tempos da escola com toda uma panóplia de carências à época, é salutar e dá-nos fôlego para continuarmos. É hoje uma constatação que nascemos num tempo em que a autoridade era aceite e agora temos que dizer, e com tristeza, que há uma certa bandalheira pois estamos numa autoridade perdida de filhos para pais e de alunos para professores.
Podemos não concordar com os castigos de alguma dureza que eram apanágio de alguns professores que apesar de tudo queriam o interesse do aluno pela aprendizagem, mas era um facto que os alunos saíam da “primária”, agora 1º ciclo, com excelente preparação.
“A menina dos cinco olhos” era um ícone da sala de aula, irmã mais nobre da régua e da palmatória, dava cartas porque era oriunda da arte de marcenaria, bastava o conhecimento da sua existência para optimizar a atitude do aluno e refreando o impulso do mais traquina!
A da imagem, com aspecto escurecido dando a ideia de “missão cumprida”, pertenceu a um velho professor primário, da escola onde leccionei, deixou-a no armário no meio da papelada, quando se reformou, ao seu sucessor. Os dois já não fazem parte dos vivos! Foi-me gentilmente oferecida por este último, não para ser usada, mas como artefacto de recordação de uma época em que a autoridade estava primeiro. Hoje faz parte do meu mini-museu.
A título de mera curiosidade, era comum ver estes artefactos juntamente com outros utensílios domésticos também de madeira, colheres, garfos, espera maridos,  (ai, ai), piões etc, nas montras das lojas de utilidades de marcenaria. Estou a lembrar-me de uma que existia na Rua da Lapa ao lado do Quartel-general onde se vendia, já lá vão uns anitos, o artefacto motivo desta crónica. Passei por lá há dias, qual criminoso amador que volta sempre ao local fatídico segundo as leis de criminologia, a loja foi-se, agora por lá (só lá?) é só chinocas minha nossa senhora!... Mutatis mutandis agora até as colheres de pau estão em crise, bem como os congéneres, pois o seu uso foi proibido na restauração.

     Um abraço e sejam felizes, antonio!

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