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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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RIO CORRE PARA O MAR

Lindalva era boa com´ó milho, não que fosse um monumento, mas aquele seu andar jovial aliado a uma cara de simpatia fazia cá um vistaço. Não se pode dizer que era uma boazona no sentido rasteiro da expressão, mas que era mulher com fair-play, lá isso era. Por onde passava desde o mais marreta até ao mais exigente tudo ficava de olhar atilado. Era de se lhe tirar o chapéu!

Naquela noite ia com o marido, pois claro, ver as montras na Baixa do Porto. Ir ver as montras iluminadas era um habitué dessa época. Ele tinha acabado de chegar da guerra colonial do norte de Angola onde a sua companhia de comandos tinha feito um estardalhaço. Tinha tido a cabeça a prémio, pois os "turras" não lhe perdoavam as malfeitorias, mas isso eram já águas passadas. Ostentava garbosamente a insígnia de Torre e Espada que lhe impusera o Presidente da Républica, Almirante Américo Tomás, em grande aparato, no Terreiro do Paço.  Lindalva, que não via o marido há dois anos, estava feliz por ter agora o companheiro são e salvo. Estávamos no início dos anos setenta, onde à noite, na cidade, havia buliço. Os cinemas  a funcionar; os cafés estavam abertos até à meia-noite e muitos até às duas da matina; as associações (Fenianos, Ateneu e muitas mais) eram um ponto de encontro. Tudo mexia no coração da urbe.

E agora, à noite, como está a cidade? Tudo morto. As pessoas fugiram para outras centralidades denominadas Grandes Superfícies Comerciais e até o polo estudantil  deslocou-se para a Asprela.A Baixa virou  fantasma.

Lindalva, que mantém ainda a simpatia, dizia-me agora com tristeza: a Baixa à noite está entregue à malandrada, já não é nada como dantes! Havia segurança,  hoje as pessoas quando passam olham para a sombra e aceleram o passo!

Tudo se alterou na cidade, excepto o Rio que impávido continua a correr para o mar!..., digo eu.

 

C/vossa amizade, antonio

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