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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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PIRA-TE CAGONA!...

Enquanto ninguém quer botar faladura aqui para o blog  deixo mais umas larachas à moda do Porto

Para os leitores mais sensíveis lembro que o uso do calão ou linguagem brejeira não denota deformação congénita do autor mas tão só o sentir das gentes tripeiras. Mas agora vale tudo. Hoje à hora nobre de almoço o Sr. Goucha, na TVI, no seu programa que eu considero pindérico e de cusquices anunciou que em Londres ia haver um concurso de masturbação (não apanhei a notícia completa, não sei se será masculina ou feminina!...)

Sou daquelas pessoas que sei gerir o tempo mesmo quando nada tenho para fazer. Melhor dizendo, o nada fazer já é fazer alguma coisa.

Fui então hoje dar a volta dos tristes. Utilizei o transporte público até ao Campo 24 de Agosto. A partir daí, a calcantes, sigo pela Rua de Coelho Neto, escritor do início do séc. XX, que viveu no Brasil e teve 14 filhos, vejam as vantagens do Google!...

Então nessa estreita rua, ao passar junto a um portal, primeira cena, uma garina em tom de surdina mas audível: estou cá com uns calores!... Interiorizei que ali havia mesmo um braseiro escultural mas não dei troco não fosse o diabo tecê-las. Já estou escaldado com a abordagem que me fez um vendedor marroquino, porque lhe dei alguma trela, o tipo vendeu-me um berbequim que primeiro custava os olhos da cara, depois foi mesmo ao preço da uva mijona. Conclusão, fiquei em casa com dois berbequins!...

Continuei pela rua de Passos Manuel e entro em Santa Catarina, rua onde viveram homens de letras como Camilo, Guerra Junqueiro, Arnaldo Gama e António Nobre. É aqui onde o Porto mais ferve. Gente que anda por andar, mendigos, rufias, dondocas que vão tomar chá com as amigas e ferrar nas canelas das ausentes, gente que gosta de dar a palmada, um ou outro engravatado e na esplanada do café Magestic uns guedelhudos de sandálias esfarrapadas com ar de intelecto, possivelmente estranjas.

Nisto assisto a mais uma cena. Uma fulana daquelas que vendem adereços na rua, mas quando lhes cheira a bófia disfarçam, diz em voz timbrada: ó senhor guarda já viu que o cornudo do Manel da Gaita anda metido com a Micas Rabona?! O Manel que era de compleição física baixa, mas encorpado, cabelo gelatinoso, ar de morcão mas com basófias que segundo a interlocutora, faz do gamanço e do pó modo de vida, não gostou nada de ser desmascarado. O tipo era fruto dum casal desavindo. O pai, Zacarias, sofria de stress pós-traumático da guerra colonial que tinha feito em Quicabo e Ambriz, em Angola. O homem estava mesmo apanhado e então depois que a mulher lhe pôs os chifres ficou num frangalho!... Segundo a vizinhança, Lindalva na casa dos 50, mulher luzidia e arejada, não tinha outra saída pois Zacarias, além de todas as maleitas, tinha-lhe fugido a tusa p'ra trás. Mas voltando ao Manuel da Gaita o tipo foi aos arames. Cresceu para a denunciadora que só não levou uns tabefes na focinheira porque o senhor guarda, homem com fair play, formado na Escola da Polícia serenou os ânimos, mas avisando que chamava reforço e ia tudo dentro engavetado na ramona para o xadrez, se a coisa desse para o torto. Parece que ficou tudo em águas de bacalhau pois quando daí a pouco passo no mesmo local já só vejo como figura de cartaz o homem estátua a quem já ninguém liga a ponta de um corno. E mais adiante, longe do olhar policial, uma regateira surdia para outra que vendia perfume “DIOR”: “Pira-te cagona!... cheira a mostarda.” - Car(v)alho… f…sse... ainda não me estreei e já vem esse filho da.... chatear! Já não se pode fazer pela vida!... blá… blá…

Acabei por ir tomar um cimbalino ao café  Magestic, à rico pois claro, e admirar toda a beleza de arte-nova ali patente. Só por isso, ganhei o dia, nesta minha digressão.

 

C/vossa amizade, antonio

 

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