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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Pela ruralidade - CXXX(Eles que se arrumem!...)

Há sempre estórias ficcionadas que saem da mente de imaginativos. Umas têm um fundo de verdade se bem que contadas com floreado para as tornar mais apetitosas.

A que vou aqui escarrapachar é verdadeira na totalidade. Toda a gente tem estórias de vida que poderão ser mais ou menos destacáveis conforme as características dos envolvidos. Estórias de padres é um fartote. Vamos então a uma.

Já por aqui falei no pároco de Fornelos (Cinfães) por vários motivos, já não está entre nós, esteve décadas à frente da paróquia. Era também lavrador, e no passado quem o não era nas aldeias, pensava gado pesado e deslocava-se num equídeo. Mais tarde comprou um automóvel, não topo de gama, nem pouco mais ou menos, era muito agarrado para essas cavalgarias, para ir aqui e acolá, mas não se esticava muito. Gostava do dinheiro, era usurário e não perdoava as côngruas dos paroquianos até dos mais carenciados. Certo dia, era domingo, resolveu ir até Alvarenga onde havia um padre da sua laia, eram amigos. Já ia a caminho quando deu de caras com um paroquiano conhecido, parou a geringonça:

-Ó Gastão anda comigo até Alvarenga.

-Mas ó Sr. Abade (era assim que na terra era tratado), agora não me dá muito jeito…

-Anda daí, insistiu o cura. Até que Gastão para ser agradável lá foi no lugar do morto. Acresce aqui dizer que o Sr. Abade não tinha grandes dotes de boa condução, a estrada era toda dele, daí a temerária hesitação do companheiro de viagem. A determinada altura vinham carros em sentido contrário, Gastão ao ver o perigo eminente disse numa atrapalhação com as mãos na cabeça:

-Cuidado Sr. Abade, olhe que vai no meio da estrada, desvie-se para a direita… A resposta prepotente do rei da estrada, assim se julgava, indiferente ao perigo:

 - Eles que se arrumem!... Foi a resposta do desarrumado.

Gastão, que foi um dos prisioneiros de guerra a quando da invasão indiana a Goa em 1961, contou-me a peripécia com um suspiro profundo “safa, boleias destas não quero mais”.

 

 

  (antonio)

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