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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto - CLIII(Memórias)

A nossa vida é feita de memórias que vamos acumulando, umas mais vincadas, outras que se vão perdendo na voracidade do tempo.

Há locais, sítios que memorizamos e que fazem parte do nosso imaginário. Temos como que uma apropriação de espaços que quando são eliminados ficamos com o semblante mais carregado. Estou neste sentido a lembrar-me, por exemplo dos belos jardins que havia na Baixa enquadrados por não menos belos pavimentos desenhados com calcário e basalto. Tenho-me repetido a falar nos Aliados mas nunca é demais. Estou também a querer referir-me a intervenções que alteraram para melhor as nossas memórias, não sou só um bota abaixo como poderá parecer. Nas minhas andanças solitárias pela cidade de nariz no ar a ver as cornijas, estatuetas e varandas de ferro forjado destaco  o caso do antigo cinema Águia Douro, estava a cair de podre,  agora está com outro visual, virou para hostel; e um palacete na Rua Morgado Mateus que estava num caco. Em 1975 foi ocupado pela LUAR(Liga de Unidade de Acção Revolucionária, gira designação, que tinha à cabeça Palma Inácio) para um infantário, e agora está em avançadas obras, cheira-me que também será para residencial low coast,

Outra vertente são as casas comerciais que eram pontos de referência e que aqui e ali vão fechando  as portas. Quero referir-me a uma na Rua do Heroismo, não só por ser das mais antigas mas também por ter sido dum vizinho meu que também se viu forçado a fechar. Já tenho 73 dizia-me, mas ainda de boa forma física digo eu, na minha óptica a crise no comércio  será a razão mais forte.   Ontem passei pela rua do Almada, fui comprar um puxador de gaveta a uma conhecida casa de ferragens que está num estertor sem retorno. Observo o tipo de conversa de dentro do balcão para fora num desânimo e claro, num vergastar estes e os anteriores governos que deixaram descambar para situação cada vez pior sem fim à vista. Uma cidade está sempre em mutação, pois está, mas queria-se para melhor.

 

 

  (antonio) Ant.Gonç.