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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Serões na Aldeia II

Quando o vento impiedoso iniciava o seu árduo trabalho de fustigação às débeis folhinhas que teimosamente permaneciam nas já semi despida vegetação e as primeiras chuvas abençoavam a árida e seca terra, era tempo da pequenada permanecer dias infindáveis em casa, privando-a de jogos saudáveis ao ar livre.

Nas longas noites de Inverno, como meio de convivência e como distracção, enquanto os adultos se disputavam à sueca com todas as manhas que o jogo exigia mais parecendo sofrerem de tiques, tal como o piscar do olho, o abanar a cabeça caso tivessem em mão a bisca de trunfo ou o Às e outros acordos previamente definidos, as crianças brincavam ao jogo dos botões. Apesar de ser um jogo tipicamente de rapazes, as meninas por vezes entravam em cena, sem preconceitos.

O único material necessário era os botões. A criançada arrastava-se de joelhos pelo espaço da cozinha que, em casa dos meus avós, era espaçosa e com uma área de paredes suficiente para um elevado número de participantes.

O jogo consistia em bater com o botão contra a parede, fazendo-o ressaltar o mais longe possível, dificultando a jogada do participante seguinte que teria de colocar o seu botão a uma distância de um palmo do seu adversário. Caso conseguisse ganhava-o. Era vencedor quem arrecadasse mais botões.

Este jogo embora aparentemente inofensivo e de poucos arrufos, por vezes, trazia cargas de conflitos.

Antigamente, as fronhas das almofadas eram apertadas com botões madrepérola, sendo cobiça dos apaixonados da jogatina.
Eram nas arcas, onde se guardavam as roupas só postas a uso aquando a vinda do médico a casa, que os falidos se iam abastecer. Poder-se-ia dizer ser uma espécie de Casino onde levantavam as fichas. Quando o roubo era detectado, iniciava-se um processo de averiguação. Os adeptos desta modalidade eram os primeiros a serem inquiridos e depois de bem espremidos, lá confessavam o crime só que a receita do furto a maioria das vezes já não estava em suas mãos.

Então, novo conflito se estendia a outras famílias, outras casas, desencadeando outro processo de averiguação onde eram detectados os botões que, embora roubados, já eram pertença justa do jogador que se digladiou ferozmente pela sua posse.
Felizmente como pessoas educadas e compreensivas que eram, tudo acabava bem. Porém, não deixavam passar o ocorrido em vão; com um bom sermão acompanhado de missa cantada, aproveitavam para dar umas boas lições de moral aos prevaricadores que juravam a pés juntos, não voltarem a pecar contra o 7º Mandamento de Deus, promessa essa que também raramente nos tempos de hoje, é cumprida pela maioria dos nossos políticos.

 

 

Fiquem bem, Benilde. 

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