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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Pela ruralidade - CXXIII(Em Fornelos, Cinfães, um dia de trabalho)

Tinha acertado o dia para limpeza do monte das Madroas, leia-se corte de mato e afins. Duas máquinas roçadeiras que tinha mandado afinar, com discos de três dentes, foices, ancinhos, serra de arco e podões foram os utensílios materiais. Quanto aos humanos, oito braços femininos mais os dois meus e toca a dar-lhe em trabalho contínuo. Ainda o relógio do campanário não tinha dado oito horas e já estávamos em pleno trabalho, e eu já tinha no papo 60 Km.  Apesar de estarmos em Setembro o sol continua a aquecer e a tão esperada chuva parece que fez greve e nem os serviços mínimos salvaguardou. Para abafar a canícula que se faz sentir ainda neste Setembro, levamos um garrafão de água vinda dos lençóis freáticos.

O monte que já foi castigado no passado com fogo que andou por lá a lamber, tem eucaliptos, alguns carvalhos e pinheiros jovens. Noutro tempo quando havia agricultura tradicional a sério o monte andava limpo, pois o mato era aproveitado para as cortes do gado e depois ia para os campos transformado em estrume.

A Vanda, Carla, Joaquina e Sílvia, nomes fictícios, já me têm feito outros trabalhos essencialmente de limpeza de terra de monte. São gente lá da terra, de fibra, não andam à cata do guarda-chuva do rendimento social de inserção, mas não deixam de criticar os manhosos que se fazem de coitadinhos para receberem a esmola do RSI.

Para chegarmos ao monte seguimos por um caminho antigo invadido por todo o tipo de vegetação, está reduzido a um estreito carreiro ao meio por onde passam alguns. É este o triste abandono de muitos caminhos de Fornelos praticamente intransitáveis. Há outras acessibilidades por um lado e por outro diz a junta de freguesia que não há dinheiro para os limpar. Tenho-me batido por esta vertente nomeadamente aqueles caminhos que também me servem alguns terrenos, mas barro com dificuldades de não haver graveto. Pois não há, foi todo desbaratado para as auto-estradas e a vergonha nacional das PPP, e as sobras para os bolsos de rapinadores.

Cortado o mato, bem como giestas e carrascos, foi colocado em montículos para depois queimar lá mais para diante quando as condições atmosféricas com bom grau de humidade o permitirem.

 

    Ant.Gonç.(antonio)