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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Pela ruralidade - CXXII(O engenho)

Em post anterior abordei esta engenhoca, que é dos tempos dos nossos antepassados, vou hoje falar da sua funcionalidade. Dizia eu que era um criado que abria e tapava as presas, poças, brechas e mineiros e tanques.

Como estamos a falar em zonas rurais onde a propriedade era, e ainda é, muito dispersa, daí que muitas vezes os lameiros ficavam distantes e era preciso dar-lhes muita água. Então aqui entra o engenho. Formado por dois tubos que actualmente são de plástico mas que no passado eram dois troncos de pinheiro escavados, unidos na parte superior normalmente em bisel, ficava um dentro e outro fora da poça. A parte superior do engenho, na união dos dois tubos, teria de ficar levemente mais baixa em relação ao cimo da poça,  para que a água da nascente, quando  a enchesse saísse pelo engenho por gravidade expulsando todo o ar do interior e assim obrigar à  sucção da  água da presa. E assim sucessivamente a poça era esvaziada e cheia, noite e dia, com  rotatividade, com espaçamento em função do caudal da nascente e do diâmetro da tubagem do engenho bem como da capacidade da poça.  A base do tubo exterior para uma eficiente sucção deverá ficar numa pequena pia que será cheia com a primeira água da nascente, que sai e vai expulsando o ar e daí o consequente funcionamento do engenho. Esta engenhoca baseia-se no vaso de Tântalo das leis da física.

Com o abandono das terras o engenho praticamente já não é utilizado. Lembrei-me de pôr um a funcionar (na minha arrecadação há alguns que noutros tempos foram utilizados) para me regar os  citrinos duma propriedade outrora terra de pão que estavam a precisar de água como um faminto a pedir pão para a boca, durante os meses deste Inverno   seco e também neste Verão que vai no mesmo andamento. Quando o trabalho serviçal do engenho já não for necessário destapa-se o pequeno orifício, antecipadamente feito na parte superior, entrando ar já não se faz o esvaziamento da poça. Lá na terra das minhas raízes há um engenho numa poça dum vizinho feito numa só pedra. Usos e costumes dum outro tempo.

 

 

    Ant. Gonç. (antonio)