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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto - CXLV(Nacos de memória, na Foz)

Vamos voltar à escola do Passeio Alegre, na Foz, referida no meu post anterior.

Na altura em que lá aterrei nos primórdios dos anos setenta do século anterior, encontrei um veterano professor, de seu nome Ferreira da Costa. Era fozense, com chapéu na cabeça chegava à escola no seu Datsun 1000, acumulava as funções docentes com a directoria da escola e também era Delegado Escolar. Na secretária do gabinete da Delegação tinha sempre um amontoado de papelada que não sei como é que o homem fazia farinha daquilo, mas lá se ia atombando!... Nos intervalos dos tempos lectivos, à hora do recreio dos alunos como se dizia, contava-me estórias da sua vida docente em Pataias, lá para os lados de Alcobaça e também as extravagâncias da socialite da Foz, betinhos maduros, que se entretinham com jogos libidinosos que não seriam tipo ballet rose mas andariam por lá perto, o baralhar das chaves no escuro e tirar à sorte. Era, Ferreira da Costa, um salazarista convicto, argumentando que Salazar trouxe ao país a paz social. E para atestar o que dizia sugeria-me que fosse à biblioteca municipal do Porto e que lesse nos jornais da época a balbúrdia que grassou no país nos primeiros anos da República, a que o homem de Santa Comba Dão pôs termo.  Adiantava-me, aquilo eram golpes e contra golpes, manifestações, greves, arruaças, uma bandalheira onde ninguém se entendia, não havia governos firmes e perenes.

Bem, estas mensagens ficaram-me cá no subconsciente adormecidas até que foram trazidas ao de cima nos anos da brasa, durante o PREC. O que o professor Ferreira da Costa me tinha dito repetiu-se após o 25 de Abril de 1974, onde os acontecimentos da primeira república, foram como num texto do Word, copiados e colados.

E já agora quem não tem presente o que escreveu Eça de Queirós sobre a governação do país da segunda metade do século XIX, que se aplica aos tempos de hoje que nem uma luva?!... A história repete-se? Talvez.

 

 

     (antonio)