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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto - CXXXVI (A Queima)

 

As massas mais uma vez desceram à Praça da Liberdade. Não era 25 de Abril nem o primeiro de Maio, muito menos vinda do Papa. Era o cortejo da queima das fitas dos estudantes (doutores se faz favor) do Porto. Passei pela Baixa e desta vez não eram as massas trabalhadoras em manifestações mas sim as massas familiares, e um ou outro curioso como eu, que para ali se deslocaram para dar os parabéns ao seu ente estudantil.

 

- Ó mãe eu também quero ver os doutores!... Dizia o puto, irmão mais novo dum dr. que andaria por lá metido no meio do cortejo.

- Eu não "beijo", mãe, eu não "bejo". A progenitora que já tinha vindo de S. Pedro da Cova, estava mais interessada em visionar o seu "doutor" no meio de tanta cartolada: cala-te, ainda te mando uma galheta.O pobre do chavalito que tinha vindo ao mundo no fim da fertilidade maternal, era um pouco anafado. O avô que também estava por ali metendo conversa com um conhecido de ocasião, cacimbado da guerra colonial, pegou no rapaz, pesado como chumbo, e à falta de melhor colocou-o num degrau da entrada da Igreja dos Congregados. O progenitor estava ausente por deveres profissionais.

 

- Abô ele num bai ali, aqueles são todos amarelos e a cartola do mano é azul, côr do Porto!... Tem calma Zéquita, atalhou o solicito avô, ele há-de vir empoleirado na camioneta da faculdade embandeirada de azul e vai-te acenar.

- Ah!...

 

 

É sempre assim todos os anos. Trânsito cortado em toda a Baixa, polícias mais que muitos, e encartolados embengalados felizes num dia especial. E o S. Pedro também deu uma ajudinha, depois de uma manhã chuvosa, a tarde esteve à maneira.

 

 

  Ant. Gonç. (antonio)