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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Pela ruralidade - LXX (A venda do capador)

Muitas vezes os nomes de lugares, ruas ou sítios têm designações populares que se sobrepõem aos nomes oficiais. Nas cidades também isso acontece, ainda há dias Germano Silva no JN falava no “Passeio das Cardosas” e dizendo  que também teve o nome popular de “Pasmatório dos Loios”, justificando estes nomes. Estou a lembrar-me também de “Carvalhosa” , “Pinheiro Manso”,  etc.

No mundo rural assim é também, nomes dados pela sensibilidade popular e que ficaram cimentados através de gerações. Na terra das minhas raízes havia uma “venda” que ainda existe mas agora com outra configuração, à beira da estrada. Vendia arroz, café do bom como se dizia na altura em oposição à cevada, que era moído na hora e embalado em cartuchos, palhetes, petróleo, carboneto, lousas para a escola, papel manteiga e costaneira,  etc. Claro que vinho da pipa era o seu forte.

Então quem era o dono da venda? Ora aqui está o cerne do que quero evidenciar. Homem forte, de boa conversa, era um exímio capador de gado suíno, cavalar e bovino. Montado numa mula fazia giro pelas terras das redondezas saindo para fora do concelho e entrando em terras de Castelo de Paiva, Vila da Feira e Arouca. Não poucas vezes pernoitava por lá quando havia trabalho para o dia seguinte, senão era voltar para casa e chegar a qualquer hora da noite, a muar já sabia de cor os trilhos nem que fosse noite como breu.

Assim o conceituado capador que ainda conheci deu o nome ao sítio onde tinha a venda que também era administrada pela mulher nas suas ausências. Como ficava à beira da estrada havia ali uma paragem das carreiras do “Escamarão”. Então as pessoas quando se dirigiam (e dirigem) para aquele local pediam um bilhete para o “capador” e o entendimento do cobrador não falhava. Resta dizer que com os sinais dos tempos a venda do capador passou a loja do capador e depois a café do capador, na actualidade, por também servir a bebida preta.

 

  (antonio)

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