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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Histórias da guerra - XVI

O saldo de qualquer guerra é sempre arripiante.

Na guerra colonial – 1961 a 1975 10.000 mortos,  muitos mais feridos e ainda aqueles que sofrem sequelas, stress pós traumático, é muita ferida para um pequeno país , Portugal.

Fui um daqueles que andando por Angola tive um bafejo de sorte pois vim com o canastro direito, cheguei ao puto são e salvo. É certo que não andei no duro a comer o pó ou a lama da picada, por conseguinte tive probabilidades mais reduzidas de levar porrada. A sorte protege os audazes era o lema de factor psicológico que os comandos enfarinhavam na tropa. Passei por esta fase da minha vida suavemente sem embandeirar em heroicidade nem em cobardola.

As agruras da guerra no mato eram entrecortadas por dias de licença, sabiam a mel, que normalmente eram passados em Luanda, cidade calma, cheia de vida, onde apenas se ouvia dizer que lá para o interior a coisa cheirava a chamusco.

E que recordações eu guardo das esplanadas à beira da baía de Luanda, onde à solicitação de uma imperial (uma é favor), vinha graciosamente acompanhada por um pratinho de caranguejos. As mesas eram de mármore onde havia um martelinho de madeira para cascar nos ditos. E a cosmopolita cervejaria – café “Portugália” no centro cívico da cidade onde as trocas de escudos e angolares eram, não direi às descaradas mas quase, era um dos pontos de encontro de quem chegava da mãe pátria. Uma cidade onde havia boa convivência entre pretos e brancos se bem que estes tivessem a supremacia no frenesim comercial. Pode-se criticar a situação a nível político mas no terreno a vida social funcionava sem exclusões de cor ou raça.

 

   Glossário:

   Levar porrada – sofrer um ataque dos turras

   Turras – inimigo, na óptica da tropa

   Picada –estrada de terra batida no interior

   Mato – dizia-se de todo o interior de Angola fora das cidades

   Angolares – moeda de Angola na época, com valor inferior ao escudo

   Puto – designação dada pela comunidade civil e militar a Portugal Continental. Desconheço se em Moçambique e Guiné (aqui talvez não) também seria usada esta designação, que tinha a ver com a pequenez do continente em relação a essas colónias (Províncias se preferirem).

 

 

 

  (antonio)

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