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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Conto infantil - "O Espantalho Poeta"

 

Eu sou o Espanta-pardais
Amigo da bicharada
Espanto todos os animais
Sem recurso à espingarda.

 

 

E era declamando este poema que todos os dias o Espantalho Poeta despertava os dorminhocos galináceos, num espaço recreativo onde exercia as funções de vigilante. Era um trabalhador exemplar. Sempre bem aprumado, trajava a preceito umas calças de bombazina, camisola de pura lã virgem, cachecol colorido, boné desportivo e nas mãos exibia umas cerimoniosas luvas brancas.
A sua principal função era manter-se bem atento às investidas das aves de rapina, contribuindo desta forma para a segurança e bem-estar de todos.

 

Dia após dia, lá permanecia ele no seu posto de trabalho, sempre feliz e contente. Cumpridor dos seus deveres, não exigia salário, não reivindicava subsídios, nem tão pouco de dias de descanso. Assim sendo, também estava isento de pagamento de impostos.

O Espantalho Poeta era imensamente feliz, até ao dia em que se apercebeu que algo de estranho se estava a passar. Os galináceos andavam agitados, alienados e muito agressivos uns com os outros. Exerciam frequentemente retaliações. Não se sabia bem ao certo qual a razão da drástica mudança de comportamento. Talvez por motivos religiosos, políticos, sociais, culturais e quiçá raciais, o que é certo é que iniciaram uma overdose de conflitos. Um peru suicidou-se; um galo chegou ao cúmulo de arrancar os olhos a uma galinha. Os patos, os galos, os perus, as galinhas, os gansos… iniciaram uma sangrenta guerra de capoeira. O terror estava instalado. Até os mais jovens, que iniciavam a sua história existencial cheia de emoções, não foram poupados. No território de agressividade não havia lugar para a comotividade do Espantalho Poeta. Este não conseguia aceitar as cenas que presenciava, principalmente de inocentes a serem mutilados sem compaixão. Deprimido, ansioso e até amedrontado, ansiava fugir daquele lugar. E não era para menos… é que a fúria podia chegar até ele. E assim foi.

Certo dia, o grupo de patos tendo como líder o “Patão”, agressivo e autoritário, começou a exercer bullying sobre o pacífico e trabalhor Espantalho.
Ferido no seu íntimo, entrou numa tremenda depressão. A sua vida começou a perder todo o sentido. Deixou de cantar, de ler as histórias, de brincar… e até de trabalhar.

Essa catástrofe emocional foi presenciada com grande alegria por parte das águias de asas redondas. Atentas à alienação e desleixo do infeliz Espantalho, aproveitaram essa situação para concretizarem as suas intenções. E assim aconteceu.
Certo dia, um grupo de predadores invadiu o espaço recreativo dos galináceos e banquetearam-se até se fartarem. Ora, foi a gota de água. O Espantalho Poeta foi despedido, não tendo direito ao fundo de desemprego, indemnização por rescisão unilateral de contrato, subsídio social de reinserção, nem tão pouco de segurança social e, o mais trágico, muito muito doente.

Cabisbaixo, muito envergonhado, retirou-se tristemente do local onde fora tão feliz e vagueou durante alguns dias, pelos campos montes e vales… Só pretendia esquecer o que ocorrera e encontrar um lugar onde voltasse a ser livre e autor da sua própria história.

Um empresário agrícola, conhecedor das boas referências do Espantalho Poeta, logo o contratou para espanta-pardais da sua propriedade. Reza a história que lá fora muito feliz, exercendo as suas funções sempre com grande dignidade.

Porém, os galináceos tiveram o castigo merecido. Perderam toda a sua liberdade. Nunca mais tiveram sossego, pois a sua preocupação principal era manterem-se bem atentos às investidas dos predadores - trabalho esse que fora executado durante longos anos, com grande dedicação, pelo Espantalho Poeta.

Moral da história: Cá se fazem, cá se pagam.                                    Com as saudações pacíficas da Benilde.

 


Então vamos preopinar…
Que tipo de bullying exerceu o grupo de patos sobre o infeliz Espantalho Poeta?

Prémio para quem adivinhar: Uma pedra parideira.

7 comentários

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    mbenilde 12.05.2010 22:36

    Para tua informação António em 71/72, vendi aulas na Serra da Freita e tive alunos da Castanheira.Nessa altura, ninguém conhecia as pedras parideiras.Portanto, trata de descortinar o enigma que a pedra está certa.Uma vez que, a Nova Yorkina nos abandonou, a Esperança está a dar um tempo, só resta o trio.Eu estou fora da carroça.Tu e o Francisco têm de dar conta do recado.
    Ah, tenho o registo fotográfico do conflito em questão.Boa sorte.
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    antonioduvidas 13.05.2010 12:54

    Minha cara, há que salvaguardar o ambiente, mantenho a minha nada de picaretar.
    Quanto a quereres ficar fora da carroça, isso não é nada comigo apenas testemunhei por aqui a tua simpatia, tens que dar contas não a mim mas ao timoneiro.
     As minhas saudações, antonio
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    mbenilde 14.05.2010 21:55

    Ora cá estou eu, a brisa suave,com o intuito de esclarecer o furacão na arte de bem escrever,pôr ordem na capoeira e termo à sizìlia gerada.O timoneiro... vamos deixá-lo de parte,pois a sua função é timonar os sérios problemas que tem em mãos ,não tem tempo para lana-caprinas.A pedra parideira em questão foi surripiada por alguém há 39anos,o crime já está prescrito.Generosamente,pretendo oferecê-la a quem acertar na tragédia.É uma actividade saudável para estimular os neurónios.Penso que estás titubeante no alinhamento,restando apenas o Francisco que terá novamente de arcar sozinho com as quezílias da bicharada.Com as saudações pacifistas da benilde 
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    antonioduvidas 15.05.2010 08:06


    Ó ilustre correligionária destas lides, estás a querer deitar areia para os olhos!...
    "A pedra parideira foi surripiada por alguém", dizes. Ora lá diz o ditado popular, tão ladrão é o que rouba como o que fica à porta. E quanto a ter sido sacada há 39 anos, não te metas em alhadas, terias de provar que assim foi e sabes que na barra do tribunal não basta o disse, disse.
    Quanto a me mimoseares que estou "titubeante no alinhamento" não vás por aí, vais no caminho errado. Sempre aqui estive desde a primeira hora num passo cadenciado sem avanços nem recuos, e já lá vão uns anitos, não é Franc?!... (e de resto também tu nas horas vagas da horta também irás continuar por aqui).

      Saudações, antonio
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    mbenilde 16.05.2010 11:49

    Continuando na contextuação do tão contestado surripanço, é meu dever informar o meu amigo que estou a ser injustamente acossada, pelo que, fui invadida por uma melindrabilidade irreversível, originando-me uma disnusia pelo que alguém vai ser responsabilizado por isso.
    Sendo eu uma cidadã cumpridora dos meus deveres cívicos, que todos os anos me abala o portal das finanças, empunhando um débil cajado, com os ossos a ranger de dor, a fim de condignamente liquidar a décima, ser desacreditada? Não dá para entender…
    Afirmas tu que a pedra em questão ser fruto de surripiagem, baseando-se somente num ditado popular? Que não vou ter saída, porque os tribunais não funcionam?
    Pois fica sabendo que vou recorrer à TVI, ao tribunal do povo, tendo como advogada a famosa Júlia Pinheiro. Aí vou bater o pé, descabelar-me, berrar alto, para que todo o povo português saiba que estou a ser vítima de bullying psicológico.
    Podes bem crer que jamais me farás passar por uma títere. Vou-me defender até às últimas consequências, de forma justa e condigna, sem recurso à timocracia, como tantos o fazem.
    Para já vou contrapor a minha defesa com outro ditado: “Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão”. Sendo assim, ainda ficarei com alguns anitos pela eternidade fora.
    Com saudações pacifistas, Benilde.
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    antonioduvidas 17.05.2010 18:41

    Eh, ó minha cara gostei da prosa. E com esta pedalada ñ vais certamente pores-te ao fresco, sobretudo Franc. não merece, irás por aqui ficar a dar o teu melhor.
    O teu ar professoral está mais uma vez presente, já se viu também na questão do ratinho, gostas de pôr o pessoal a  exercitar a cachimónia, da minha parte sou fraco em soluções.

      (antonio)
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