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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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O meu 25 de Abril de 1974

Um mês antes alguns militares tinham-se sublevado no quartel das Caldas da Rainha; a coisa deu para o torto e os graduados foram engavetados. Marcelo Caetano, primeiro ministro nas suas conversas em família no único canal televisivo existente referia-se ao pretenso golpe dizendo que foi uma irreflectida tomada de posição dum grupo restrito de militares.
Mas no 25 de Abril de 1974 a sublevação deu-se por todo o país com coordenação e as forças fiéis ao regime tiveram de capitular. O povo aliou-se aos revoltosos dando força à vitória com o ícone do cartaz “Aliança Povo – MFA”.


A PIDE/DGS ficava no Largo Soares dos Reis/Porto, como trabalhava numa escola que ficava perto pude assistir no terreno ao desmoronar daquela força. Automóveis particulares de agentes foram incendiados ali na Rua António Granjo e entretanto camiões militares chegaram e levaram os PIDES para o quartel-general e logo a seguir penso que foram soltos. Enquanto isso o Largo Soares dos Reis apinhado de populares deram vivas aos prisioneiros políticos que estavam nas instalações daquela polícia que foram de imediato postos em liberdade. Nessa altura, a engª Virgínia Moura, já falecida, anti-fascista de sempre, mais o catedrático Óscar Lopes e o Comandante das tropas coronel Carlos Azeredo assumem à varanda do palacete onde funcionou a famigerada polícia e deitaram faladura. O povo estava eufórico, feliz com um Portugal melhor na mira. Depois veio o PREC com a descolonização das colónias (segundo Soares descolonização exemplar, slogan que alimentou durante muito tempo, agora parece que não diz bem isso,  na mesma altura o historiador, já falecido, António José Saraiva não se deixou intimidar e numa atitude corajosa disse que o que se passou em relação às colónias foi uma debandada), criação dos mais variados partidos políticos e todas aquelas incongruências do COPCON e SUV. “Força, força Companheiro Vasco” eram as palavras de ordem da esquerda (referência ao primeiro ministro da altura Vasco Gonçalves). Aqui no Porto o CDS foi o bombo da festa com ataques às suas sedes e na conservadora  Braga o PCP viu-se em apuros com sedes incendiadas e outras malfeitorias resultantes das posições extremadas que a sociedade estava a ter.


Passados trinta e cinco anos sobre o raiar da esperança do cravo na ponta da espingarda o nosso país está triste, numa incerteza e com muita insegurança que dá que pensar! Os políticos que nos têm governado podem dourar a pílula com a demagogia que lhes é habitual mas têm todos nota muito negativa. É pena, os ideais do 25 de Abril esfumaram-se!...
      Siglas: MFA – Movimento das forças armadas; PIDE – Polícia internacional e de defesa     do estado; DGS – Direcção geral de segurança; COPCON – Comando operacional do continente; PREC – Processo revolucionário em curso; SUV – Soldados unidos vencerão.

 

           Fiquem bem, antonio

 

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