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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto - XLVIII (A praia e os putos)

 

                                  (imagem actual da Praça da Batalha)

 

Como estamos em plena época estival, o Verão aqui no norte vai forrêta mas enfim,  lembrei-me de ir lá atrás ressuscitar a praia da minha juventude. Há uma questão cultural que nos está enraizada de considerarmos que o mês das férias, da praia, da manga curta, das gajas descascadas é o mês de Agosto. Pode chover picaretas ou os governantes virem com a treta das férias repartidas ao longo do ano que nada vai alterar a rotina dos portugas, contrariando o dito popular que diz que  primeiro dia de Agosto, primeiro dia de Inverno. 
Lá no fundo do meu baú estou a sacar umas idas à praia aqui à beira da porta. Já se ouvia falar no Algarve (não ALLgarve, ministro Pinho, que ideia descabida para não dizer pirosa!) para alguns com cacau, eu limitava-me a ir à praia Emília Barbosa, em Matosinhos, era assim que as praias eram conhecidas, pelo nome dos concessionários. De eléctrico, pois claro, lá ia eu no rodas de ferro a abarrotar de gente pela Avenida da Boavista. Famílias com a canalhada à perna, seniores de canadianas, lancheiras, geleiras, um ou outro cabeça de casal com um garoto de 2,5L, leia-se, garrafão de tintol, guarda-ventos e sacos com barracas pessoais, era a alegria do povo sedento por apanhar sol e água salgada que era terapêutica, dizia-se. No meio de toda aquela algaraviada apinhada como sardinha em lata o guarda-freio via-se em apuros, mal podia manobrar a alavanca da condução, e para mais lá de trás o condutor (cobrador), de bigodaça farfalhuda, saca de couro a tiracolo, besuntada pelo uso, vociferava: senhores passageiros cheguem à frente, (ou atrás?), fazem favor… Este, vulgo pica, após cada paragem dava dois toques com o alicate num varão e dizia alto e bom som para o guarda-freio: deixa andar. A seguir não perdia tempo enxotava com energia os putos que iam à gosma nos estribos do eléctrico, o guarda-freio usava a mesma rispidez quando parava o amarelo para sair com uma alavanca mudar a agulha (para os menos entendidos, mudar de linha). Quando “in extremis” os putos tinham de abandonar a borla, rapidamente apanhavam o eléctrico seguinte, eram uns reguilas, safavam-se sempre. E se o transporte era o autocarro de dois andares era vê-los encarrapitados na parte posterior no vão entre o motor e a parte de cima do dois pisos.
Estes putos, (ver link ) c/letra de Ary dos Santos e música de Carlos do Carmo , também estão nas minhas memórias!...

 


  Fiquem bem, antonio

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