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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

Magistério6971

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Memórias da guerra

Tinha eu acordado às quatro da madrugada, não sei que raio de rotina me está a acontecer, Morfeu anda a tramar-me, pois ando há uns tempos a ficar a contar carneirinhos por tempo indeterminado. Então às seis e trinta fora da cama, fiz nas calmas a higiene matinal e pernas para que vos quero até à estação de Campanhã, moro em Valbom (GDM), onde apanhei o Intercidades até Pombal, com um desconto de 50%, e viva o velho.

Ah! Era aí o encontro anual do maralhal do meu Batalhão que gramou o roçar dos ossos por terras de Angola, estou a falar da chamada guerra colonial. Quarenta e oito anos, é muita carga, após o embarque em Lisboa no paquete Vera Cruz expressamente adaptado para o transporte de tropas.

Todos barrigudos ou tábuas rasas, mais aqueles que estes, carecas ou cabeças brancas, todos na portela fatídica dos setenta e alguns já mais além, caçarretas uns, outros com artroses bem evidenciadas, mas também outros em bom estado de conservação, todos afinados no mesmo diapasão, reviver um tempo que apesar de ter sido difícil, cimentou amizades.

Esposas, filhos e netos deram também um colorido no fervilhar da cavaqueira. Embora estes não tivessem vivido as “cenas” de guerra, “elas” foram sempre uma retaguarda de apoio psicológico estimulador nas eventuais agruras.

Conversas cruzadas do teatro das situações operacionais iam sendo desbobinadas passados tantos anos, pormenorizadas como se tivessem acontecido há um ano, mês ou na última semana.

São também estas as memórias dum povo que se devem manter. Para o ano há a continuação de lembrarmos a guerra em palavras.

 

  Ant.Gonç. (antonio)

44.º aniversário de curso IV

É já no dia 23 de maio de 2015 que nos iremos encontrar em Santo Tirso para comemorarmos condignamente o 44.º aniversário de curso. De acordo com o programa, estes são os pontos-chave.

Deus queira que nos encontremos mais uma vez.

Saudações tripeiras do Francisco.

CÂMARA MUNICIPAL

RECEÇÃO

MOSTEIRO DE SANTO TIRSO

VISITA GUIADA

 

CÂMARA DE SANTO TIRSO

MOSTEIRO DE S. BENTO

 

 

ESCOLA AGRÍCOLA CONDE DE S. BENTO

VISITA GUIADA

RESTAURANTE TIRSENSE

REPASTO

ESCOLA PROFISSIONAL AGRÍCOLA CONDE DE S.BENTO

RESTAURANTE TIRSENSE

 

Padres na feira

 Aquilino Ribeiro  retracta o meio rural, com o qual as minhas raízes também se identificam, pormenorizado em todas as vertentes. Em “GEOGRAFIA SENTIMENTAL” o autor espelha a feira quinzenal, ou dos quinze como dizia, de Lamas que pertence ao concelho de Sátão. Vejamos o que diz sobre o bulício feirante, abordando particular e subtilmente os pecadinhos gastronómicos e libidinosos da padralhada, termo que na vox populi poderá ter um sentido depreciativo, padrecos tem mais, mas que o autor noutras ocasiões empregava.

 

  "... Padres, esses, in magna quantitade, não só da freguesia como dos povos e concelhos limítrofes. Logo de manhã aparecia o abade, homem à roda dos seus quarenta e cinco anos, sempre bem-posto, cabeção roixo na qualidade de cónego honorário, labita, botas de montar, chapéu de borla. Nascera para o sacerdócio, o que não obstava a que se permitisse o luxo e bom gosto de possuir uma bela égua, um corpulento terra-nova, e uma linda ama. Não raro fazia-lhe companhia o cura, o padre Plácido, que orçava pela mesma idade, um gigantesco calmeirão benquisto a toda a gente. Por sua docilidade, ou por via da sua robustez, havia de ser sempre o oficiante as vezes que se tratasse de missa cantada, que deitava para bastante tarde, mormente quando a grande instrumental. Agora, faltariam todos à feira menos o padre Agostinho, boa presença, afável e bondoso, que gozava das simpatias gerais. Mas era um tumba colossal ao brídege, desdita esta de que fartamente se indemnizava nos braços roliços da Conceição, galante rapariga que em graças e encantos nada ficava a dever à Aninhas do Abade. Era também certo o padre Diogo, gorducho e bom gastrónomo, que se impunha pela fluência da palavra e da conduta. E tantos, tantos outros, eram fatais na feira dos quinze em Lamas. Se pelo fino trato, inteligência e cultura pouco vulgares, marcava entre eles o cónego Teixeira, da capela da Bemposta, Lapa, aos oitenta anos ainda não tinha conhecido qualquer dor, essas que afligem o comum dos mortais, dores de cabeça, ou de dentes. Como se explica? Pela sobriedade e serenidade do viver. A sua alma entesoirava mais pureza do que uma manhã de neve. Era infalível, apesar da idade avançada nas festividades da Semana Santa, de tão delicado perfume, onde quer que se celebrassem, e e parece-me estar a vê-lo e ouvi-lo naquela sua voz ainda clara e bem timbrada: In illo tempore dixit Jesus suis parabolam hanc…

O bispo de Viseu, D. António Alves Martins, queria, na sua diocese – Frei José pertencia à diocese de Lamego -, padres que amassem a Deus na pessoa do próximo e não padres que explorassem o próximo em nome de Deus. E a respeito do culto e suas práticas estimava que não houvesse exageros, antes a religião condimentasse a existência segundo um conceito seu que fez voga: «Como o sal na comida, nem muita , nem pouca.» Afora ligeiros pecadilhos, e como não se a governanta do cónego Teixeira, por exemplo, era mais apetitosa do que cerejas bicais colhidas de fresco, todos cumpriam à risca as prescrições de D. António.

Frequentavam todos a casa dos meus pais e só respeitos e atenções a casa lhes ficou devendo. Creio que todos dormem já o sono da eternidade, e é com saudade que evoco as suas memórias adoráveis.”

 

  Ant.Gonç.(antonio)

 

São servidos dumas coxinhas de rã?!...

Para os nossos ancestrais costumes a notícia do JN não é muito pacífica, pelo menos para mim.  "Criação de rãs já pode avançar em Portugal. Já está deferido o enquadramento regulamentar que legaliza a criação de rãs em Portugal"

E a notícia adiantava que não só as coxinhas de rãs mas também todo o resto do animal para outros fins alimentares.

Isto faz-me lembrar uma casa de petiscos ainda hoje existente nas imediações da Cancela Velha. Pois há 30, 40 anos da minha memória, passarinhos faziam as delícias dos bancários, e não só, alguns meus conhecidos do Banco Borges § Irmão que às 15H30, creio,  já tinham o dia ganho e andavam por ali na degustação.

Resta-me a consolação, em face da notícia do JN, que vou poder continuar a ouvir o coaxar, lá na terra junto ao corgo, nas noites quentes de Agosto.

 

  (antonio)