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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

Magistério6971

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DIA DO PAI

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 Neste DIA DO PAI de 2015, os autores deste blog querem homenagear todos os pais, de uma forma muita singela, desejando que tenham UM DIA MUITO FELIZ, repleto de saúde, paz e amor.

Novo visual

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Hoje, 18 de Março de 2015, véspera do DIA DO PAI, é um bom dia para mudar de visual. Na verdade, a ideia não partiu de nenhum dos três autores resistentes. A ideia partiu da equipa SAPO que coordena e supervisiona os blogs alojados no seu domínio. A equipa pediu no local de comentários um endereço para entrar em contacto connosco. De imediato disponibilizei o meu endereço, visto que a SAPO é uma entidade idónea e responsável. O Pedro Neves, membro da referida equipa, disse-me que a SAPO tinha uns novos "templates", mais frescos e actuais, para os blogs e sensibilizou-me para a mudança, apresentando de imediato uma sugestão. Visto que o novo visual me agradou totalmente e visto que o Pedro Neves garantiu que a mudança não iria retirar nada ao conteúdo do blog, contactei telefonicamente o António que concordou e que me deu carta branca para dar luz verde à SAPO para a referida mudança. Vais desculpar Benilde mas mudei de telemóvel e não tenho o teu número. Acontece que o António também não o tem. Assim, avançamos os dois para a autorização que era necessária. Não leves a mal mas não nos esquecemos de ti, como o podes comprovar. Agora, estimados colegas, falemos do que nos é proporcionado ver. A minha opinião é a de que está uma apresentação mais fresca. De vez em quando há que fugir à rotina, não é verdade? E temos a garantia que os conteúdos se mantêm assim como se mantém a forma de publicar. Na prática, só o visual ou, se quisermos, a fotografia é que mudou. E convenhamos que, a brincar a brincar, o nosso blog completa no próximo mês de Julho a bonita idade de 10 anos. Uma década. A sua primeira década. Para blog, é uma bonita idade, digo eu. Vamos lá, então. Para a frente é que é o caminho.

A Igreja e o pilim

Já por aqui disse que a Igreja, para não ser acusado de generalista digo antes, muitos dos seus zeladores funcionam como aqueles que vivem à sombra dos partidos políticos, e assim sendo, quer uns e outros não me merecem credibilidade. Então não é que o senhor padre de determinada freguesia de Mangualde não fez o funeral de um paroquiano pelo facto dele não lhe pagar a côngrua?! E parece que o senhor bispo de Viseu achou isso natural!

Abordei em posts, várias facetas algumas bem caricatas, do senhor abade, era assim que era tratado, que paroquiou a terra das minhas raízes. Pelo dinheirinho era como o mafarrico por almas, dizia o povoléu. Mas esse ao menos quando determinado paroquiano se alheava das suas contribuições paroquiais e depois se lhe dirigia para a realização de alguma actividade religiosa, baptizado ou casamento pela Igreja dum descendente, não lhe dava nega, mas negociava as rasas de milho que tinha em atraso.

 

       (antonio)

Fino como o alho

"Fino que nem um alho"



Diz-se que um indivíduo é "fino como um alho" ou "fino que nem um alho" se ele é muito esperto, muito sagaz e astucioso. A expressão terá sido originada pela personalidade do mercador portuense Afonso Martins Alho, que foi responsável pelo tratado de 1353, no reinado de D. Afonso IV, entre a Inglaterra e Portugal e que, pela sua sagacidade, o povo eternizou.

Segundo escreve José Pedro de Lima-Reis no livro "Algumas notas para a história da alimentação em Portugal" (Campo das Letras), Afonso Martins Alho, que tem o nome inscrito numa das ruas da cidade do Porto, partiu para Inglaterra, como único emissário dos mercadores portugueses, para negociar com Eduardo III um acordo de trocas, que poderá ser considerado o primeiro tratado comercial firmado entre Portugal e Inglaterra. Uma das trocas que resultou desse entendimento terá sido referente à importação de bacalhau contra o envio de vinho verde, expedido de Viana do Castelo.

Assim, a expressão correcta será "Fino como o alho" ou, para ser ainda mais precisa, será "Fino como o Alho".

Saudações tripeiras do Francisco.

Geografia sentimental

No post anterior abordamos a má vizinhança dos lobos vista através dos tempos. Vamos hoje de raspanço referir os ditos, mas sobretudo aqui avivar a interioridade das Beiras segundo Aquilino Ribeiro na sua obra “Geografia Sentimental” de 1951.

“Até a Cabeça de Alva, não há mais que perspectivas de planalto, afora a trovoada de penedos que coroam o espigão da serra do lado norte, a cavaleiro dos poucos montesinhos de Ariz, Pêra Velha e Carapito. Esses penedos são enormes como castelos e bastos como ovos em canastra. Como se condensou para ali tanto magna e tomou aqueles feitios caprichosos do esferóide?

Ao chegar ao Senhor dos Aflitos, o horizonte, com um vastíssimo e suave espaldar de montanhas ao longe, para lá das planuras baixas do Távora, abre-se um leque portentoso, rico de matizes e estrelado do nácar e madrepérola das aldeias e dos casais. Ao que é de imenso, o golfão celeste infunde-nos a ansiedade de que se acompanha tudo o que releva noções de infinito. E as suas tintas indecisas, roxo, cinza, azul, anilinas muito finas e fluidas de que a luz aparenta ser apenas o dissolvente, não só nos deslumbram como inebriam. A capela que ali está, sempre branca e escarolada, no encontro dos caminhos, diz às outras, as cem e uma ermidas que luzem esparsas pelos montes: A paz seja convosco. Cá se vai vivendo na lei e graça do Senhor.

Nada mais impressionante do que o salto orogénico da terra, segundo a noção óptica, do monte em que estamos para a corda de montes distantes, que se vêem colear em anfiteatro. Na curva, localidades, que escolheram os abrigos e recessos dos vales, adivinham-se mas não se avistam; tiram-se outras pelo campanário ou alguma torre altaneira; mais raras as que brilham e se espenujam como pombas ao sol.

À espalda, a poucos minutos, deixa-se Vila Chã, acaçapada, como a palavra o diz, numa das balsas do planalto. Acama ali neve para muitos dias no pico do Inverno, e ouvem-se os lobos uivar dos morros fronteiriços, chamados pelo fartum dos rebanhos.

Uma noite de luar, que subia a serra com o meu impávido vizinho Joaquim Natário, cada um de nós na égua patuda da casa, tivemos desde os pinhais da Boa Vista a sua escolta graciosa. Eram quatro bichos corpulentos, que nos seguiram de lado, a distância de tiro, eclipsando-se nas matas e fundões, reaparecendo nos tesos calvos, aguentando, sempre em linha connosco, um chouto elástico e seguro. Um deles ostentava uma bela e afrontada testa, que infundia respeito.

Mais longe, e à roda de mil metros de altitude, abaixo da trabuzana de penedos, enrodilha-se a povoação de Carapito. Entre Nave e Lapa não se encontra gentio mais bárbaro e turbulento. Brigam por dá cá aquela palha. Pelo génio, os hábitos, e o teor da crónica local apraz-me ver ali um reduto de turdetanos, vingativos, feros, desenganados e possuídos duma actividade inata e arbitrária. Às duas por três, um dos filhotes da terra senta-se no banco dos réus. Que crime praticou? Matou um homem. Deu um tiro noutro. Apunhalou. Nunca comédia ou drama de baixo coturno…”

 

 Ant.Gonç.(antonio)

 

 

Quando os lobos uivam

Vamos por aqui continuando a relembrar o manancial prosaico de Aquilino Ribeiro, a cultura é sempre uma mais valia. O título deste post nada tem a ver com os predadores dos ovinos e caprinos, vacas e asnos também como no passado nunca se tinha visto, foi um romance que pôs em alvoroço as forças repressivas salazaristas, cujas edições foram proibidas. O regime de Salazar não admitia críticas mesmo as encapotadas.

Na actualidade os lobos uivam, ou melhor andam sorrateiros às caçadas, por outras razões. Regressando ao meu tempo de jovem os lobos eram mal queridos, odiados, pois a cada passo surripiavam gado miúdo, leia-se ovinos e caprinos, aos lavradores. Durante décadas os larápios eclipsaram-se. Apenas  de vez em quando os naturalistas lamentavam-se que a raça estava em vias de extinção, eram precisas medidas para inverter a situação.

Bem, chegamos agora e os média referem ataques dos lobos aos gados no Montemuro, Gerês, Pinhel e mais, cito de memória. Então uma varinha mágica fez nascer lobos pelas serras!... Os serviços da conservação da natureza não abrem jogo, mas tudo indica, segundo o povo, que foram “botados”. Numa pesquisa na NET há uma herdade na região de Mafra onde estes animais são criados, Centro de recuperação do lobo ibérico.

Era eu um petiz, recordo-me andar lá pela terra um serrano com a carcaça dum carnívoro, ou seria só a samarra, às costas a pedir ajuda por façanha tão do agrado dos pobres lavradores.

Sobre isto passo a citar Manuel de Lima Bastos referindo-se ao livro de Aquilino “Quando ao Gavião Cai a Pena, obra de 1935, diz:

“Era hábito antigo exibir o lobo por quanto povoado montesinho houvesse para recolher as esmolas de preceito que ninguém regateava, as quais rendiam ao afortunado abatedor da fera grossa tanto em maquia tanto em dinheiro como em géneros de boca. António das Arábias apressou-se a preparar o andor onde o bicho seria exibido para logo sair em procissão e iniciar-se a rendosa colecta. Improvisaram umas andas com duas varas de pinheiro e deitaram a fera em cima. O António das Arábias fez de pároco e rezou-lhe o de profundis:

   Este lobo não ia à missa,

   Nem à missa, nem ao sermão;

   Comia cabra à sexta-feira,

   Não tem absolvição.

 

Logo rompia, em cantochão, o coro dos acompanhantes que engrossava à medida que se incorporavam mais e mais fiéis de quantos lugarejos vizinhos havia para ajudar ao responso do defunto.”

Eu sei que é uma tarefa assaz intrincada, o equilíbrio entre a preservação da espécie e os legítimos interesses das populações do interior. E todos sabemos como o estado foge com o rabo à seringa, paga tarde e mal os prejuízos feitos pelo predador, além de pôr uma série de condições aos utentes do gado, cão de guarda por cada 50 animais ou tê-los a pastar em locais confinados.

 

     Ant.Gonç. (antonio)

 

 

O meu país

Isto vai de mal a pior neste país. Isto é só «casos», em cada dia que passa. Isto assim é vergonhoso. E não vai acabar bem...Ai não vai não...

SAPO

JN

RR

 

Saudações tripeiras do Francisco.

Passeios pelo Porto com Germano Silva

É, para mim, um orgulho enorme, ter na cidade do Porto uma pessoa como Germano Silva. Este «nosso» jornalista/historiador/investigador proporciona sempre aos seus acompanhantes nestes passeios uma verdadeira lição de História. Desta vez, esta iniciativa da Porto Lazer passou-me despercebida e foi uma reportagem do «Portugal em Directo», da Dina Aguiar, que me chamou a atenção, pela entrevista a Germano Silva. Vou ver se não falho os próximos passeios.

Saudações tripeiras do Francisco.

PASSEIOS PELO PORTO II

PASSEIOS PELO PORTO I

Vida rural de outrora, caseiros e senhorios

 

Será que em 1919 “as Terras do Demo” de Aquilino Ribeiro se estenderiam para além das Beiras? Manuel de Lima Bastos na sua obra “Mestre Aquilino, a caça e uma gaita que assobia” diz citando o autor regionalista na obra citada, assume a evidente rusticidade, complementada pelo mais extremo primitivismo do modo de viver das suas gentes, dessa mesma ancestralidade existencial se tornou o paradigma fielmente revelador.

Voltando à interrogação inicial, penso que sim, pois a interioridade do país com mais ou menos intensidade fazia-se sentir em todos os quadrantes. Um país de gente pobre, mas que aceitava a miséria pacificamente. Vivia-se hermeticamente e só alguns iam além das fronteiras onde conheciam outras culturas e melhor nível de vida.

Vou dar aqui testemunho dum país de pobres submissos. Já por aqui falei no meu avô, que não conheci, não gosto de ser repetitivo, falo aqui nele para contextualizar o que a seguir exponho. Foi abanar a árvore das patacas para o Rio de Janeiro da “República dos Estados Unidos do Brasil”, comprou terras e tinha caseiros. Rebusquei umas velharias na papelada mofenta e cato uma declaração de 1929, onde o caseiro faz um compromisso, aceite pelo senhorio, com as seguintes condições para a feitoria de terras. (Naquela altura a palavra escrita ou com o aperto de mão faziam lei). Assim:

“1ª condição – que tudo o que produzir o chão, partiremos com o dito patrão a meias.                              

2ª condição – que todo o fruto do ar, será partido de terço, duas partes para o senhorio e uma para o dito caseiro.

3ª condição – que a semente de milho, será à custa do caseiro, assim como a de feijão, a de centeio e batatas, será metade à custa do senhorio e a outra metade à custa do caseiro.

4ª condição – que a cega e malhada do centeio, será à custa do dito caseiro.

5ª condição – que no ano em que sahirmos deixará todas as palhas e canas de qualquer espécie.

6ª condição – que no ano em que sahirmos só poderá fazer uma dúzia de colmo, meia para o patrão e a outra meia para o caseiro.

7ª condição – que todas as palhas de erva ou de centeio serão emoreiadas ou guardadas para onde o patrão mandar.

8ª condição – que o caseiro ficará com a obrigação de semear a erva nos prédios seguintes … … … …, como também terá de entregar ao dito patrão uma quarta de serradela. Todas estas sementes serão semeadas quando o patrão ordenar.

9ª condição – que o dito caseiro fica obrigado a cortar três carros de mato, de quatro dúzias cada carro para …. E mais dois carros de mato, um para … e outro para … (propriedades indicadas). Todo este mato será cortado e posto à porta, até ao dia primeiro de Agosto, do ano em que sair.

10ª condição – que o caseiro só poderá semear 2 alqueires de linhaça.

11ª condição – que o dito caseiro não poderá cortar lenha nenhuma cem autorização do seu patrão.

12ª condição – que qualquer serviço que o dito patrão precisar, como seja mato, lenha, lavoura das terras que o patrão fica fazendo, e caso não possa ir, o dito caseiro emprestará o gado ao senhorio.”

Nota: Quando um caseiro se mudava para outro senhorio era sempre pelo S. Miguel.

Acresce também dizer que havia empenhos para ir trabalhar as melhores terras. Lá ia o pretenso caseiro de chancas ferradas, calças domingueiras mas com testeiras, chapéu na mão, com sentimentos humildes mas convincentes a mendigar os melhores almargeais de fulano ou sicrano. (para que esta abordagem tivesse sucesso já teria chegado antecipadamente um chibinho abitolado com os galhos a despontar ou um anhoto desquitado, a casa do dono das pretendidas terras).

Nesta declaração fala-se na produtividade do “chão”, a meias. Nalgumas terras era também de um terço para o caseiro tal como o “ar”.

A quando da matança do porco, não era uma obrigação taxativa mas quase, o caseiro dava ao patrão um lombo do cevado e uns quilos de açúcar que variavam em quantidade conforme as terras, as de boa lavra davam mais, normalmente pelo Natal. Na Páscoa meia dúzia de frangos eram também ofertados ao patrão. O abade da freguesia também se chegava à frente de mão estendida, era agraciado com uns quilos de açúcar, além da côngrua, dos pobres agricultores.

  (antonio)

 

 

 

 

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