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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

Magistério6971

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Pela ruralidade - CLVII(Acudam que vem lobo)

Quando eu andava de chancas nos meus tempos de menino e moço lá pela terra, já antes tinha na escola aprendido as estórias do lobo mau, entretinha-me a ver os pegureiros que iam com o gado, vacas arouquesas e alguns ovinos e caprinos, rapar para o monte. No regresso lá vinha o gado, não direi farto, mas com alguma carqueja e mato miúdo no bandulho. Era a altura das perguntas dos campónios ao nosso guardador do gado.

- Então os lobos não te apareceram? Ai deles que eu mandava-lhes com este lódão nas fuças que iam logo pregar para outra freguesia com o focinho à banda. Ontem levaram uma anha à ti Maria Genoveva porque ela foi para o monte com o gado de roca a fiar em vez de levar um bom estadulho para partir os dentes a esses malvados.

Era assim a auto defesa dos rurais que chegavam muitas vezes a vias de facto. Cheguei a ver um serrano que andava com uma pele de lobo às costas a pedir uns trocados, mostrando o seu acto de bravura. A partir de 1988 uma lei da conservação da natureza protegeu o lobo ibérico.

Passaram-se décadas sem que se ouvisse falar em lobos, pois tinham efectivamente desaparecido do mapa da minha região.

E agora o que se passa? Voltaram os lobos em força a massacrar o gado miúdo e até gado vacum e cavalar, coisa que no passado atrás referido nunca se tinha visto. Diz-se que na região do Montemuro há duas alcateias, e com o Portugal dividido com auto-estradas vedadas os lobos estão confinados a determinadas zonas.

Diz-se lá na minha zona que os lobos foram criados em cativeiro e "botados" pelas serras. Se assim é, não sei, o instituto de conservação da natureza não abre jogo claro sobre isto.

E as compensações pelos animais mortos? Está previsto, mas com condicionantes. Estive aqui a dar uma vista de olhos na net, parece que rebanhos com centenas de ovis/caprinos, obrigam a ter um cão pastor por cada 50 animais. Para grupo reduzido em pastagem é obrigatório ter uma vedação no terreno. E depois há sempre aqueles animais que são levados pelos predadores, portanto sem meio de prova, para não falar no pagamento, muito moroso.

Defesa do lobo ibérico? Sim

Defesa dos bens da população rural? Sim

Como conjugar estes interesses não será fácil com  agravante da desertificação do meio rural.

 

 Ant.Gonç. (antonio)

Carapau de corrida (a derradeira explicação)

 

 

Retirado de:  http://etimoteca.blogspot.pt/2014/08/carapau-de-corrida.html

 

«"Carapau de corrida" é uma expressão popular utilizada para descrever uma pessoa convencida ou que se julga mais esperta do que os outros. Usa-se habitualmente precedida do verbo armar: "armar-se em carapau de corrida".


Esta curiosa expressão poderá ter origem no facto de que nas lotas o peixe é vendido em leilões invertidos, ou seja começa-se por anunciar o preço mais alto e este vai decrescendo até que um comprador o arremate.


O peixe mais caro, e portanto o melhor peixe, é vendido em primeiro. Para o fimficam os peixes de menor qualidade.


As peixeiras que compravam esse peixe de fim da lota, e portanto a um preço mais barato, iam a correr até à vila, tentando chegar ao mesmo tempo que as primeiras peixeiras que já lá tinham chegado com o peixe mais caro e de melhor qualidade que tinha sido vendido na lota em primeiro lugar.


As últimas peixeiras chegadas tentavam então enganar os clientes vendendo o seu peixe ao mesmo preço que as restantes. Nem sempre os fregueses se deixavam enganar e percebiam que aquele carapau era "carapau de corrida", de menor qualidade e trazido até á vila literalmente a correr.»

Ruas de Portugal

As últimas notícias sobre juízes e não só que foram expulsos de Timor deixaram os políticos portugueses embaraçados.

O primeiro ministro de Timor é Xanana Gusmão que veio a público tentar explicar decisão tão intempestiva.

As razões de caso tão intrincado são para os políticos esgrimir. A mim só me apetece aqui deixar em aberto, o que terá feito o senhor atrás referido para ter uma profusão de ruas pelo nosso país fora. Estou a lembrar-me aqui de Valbom, Matosinhos, Gaia e imagine-se até Cinfães tem uma rua com nome desse herói da independência de Timor. E pode-se perguntar, eu não sei a resposta, o que terá feito por Cinfães, e será que alguma vez lá foi?

 

    (antonio)

Caso mal explicado

Tenho lido no JN o "cerco" que os paroquianos de Canelas, Gaia, têm feito para não deixar sair, às ordens do bispo, o padre Roberto.

Milhares de pessoas, segundo o JN, querem fazer valer o quanto gostam do pároco.

Desconheço os motivos da transferência, pois do que li não cheguei a certezas, mas certamente que os haverá da parte do sr. bispo. Será só por uma questão de rotatividade? (Aqui apetece-me recordar quando um professor está numa escola sintonizado com os seus alunos, no ano seguinte mandam-no para cascos de rolha, com prejuizo para ele e para os alunos que conhecia bem).

O sr. bispo do Porto e o seu staff de decisores quererá ficar de costas voltadas para aquela comunidade que tem simbiose com o padre?!...

Se naquela paróquia tudo funciona bem com esse pastor, será necessário desperdiçar essa mais valia!

Vamos aguardar os próximos capítulos.

 

  (antonio)

Olhar o Porto - CXCVIII(As carquejeiras)

Mão amiga fez-me chegar um mail sobre a saga das carquejeiras que subiam a íngreme calçada da Corticeira (ia do rio Douro, agora vai da Av. Gustavo Eiffel, até ao Passeio das Fontainhas) com pesados molhos de carqueja para as padarias, e não só, do Porto. Vinha esse material nos barcos rabelos, rio abaixo, do alto do concelho de Gondomar, Castelo de Paiva, Marco e Cinfães. Bem, esta calçada, agora chamada das Carquejeiras, também já eu subi várias vezes e pontualmente continuo a subir, sem carga, a máquina fotográfica é leve, se não chego ao cimo com os bofes de fora devo-o sobretudo ao ginásio nomeadamente às práticas de respiração do yoga. Mas que a subida é dura, lá isso é. Experimentem e vejam quão madrasta era a vida para ganhar algum para o sustento da família.

Há um movimento na cidade para erigir uma escultura à memória dessas heróicas mulheres “as carquejeiras” que merece também o meu apoio. A última carquejeira faleceu há pouco, conforme o JN noticiou. Bem, mas o facto de terem mudado o nome de Calçada da Corticeira para Calçada das Carquejeiras, já foi de louvar. Outras vozes apelam para erguer também monumentos às carrejonas, às canastreiras, às leiteiras, aos ardinas já há na praça da Liberdade, e a tantas outras profissões que ainda são do nosso tempo de rapaz.

Até aos meados do século XX houve carquejeiras nas cidades e no meio rural. A carqueja devido às suas qualidades caloríferas era usada no aquecimento dos fornos e nas lareiras. Na terra das minhas raízes recorda-me uma carquejeira que vinha duma povoação vizinha, carregada com um molho de carqueja, chamiça e caruma, não se lhe via o corpo, tal como um ouriço, só pelo andar se sabia que era um ser humano e não uma besta de carga. Levava o molho para um vendeiro que também cozia a broa no forno para servir os fregueses. Não tenho presente se o pagamento era feito em escudos ou por troca, como na altura era usual, por algum açúcar, cevada, macarrão ou uma quarta de milho.

Curvo-me perante essa gente anónima que nos merece o maior respeito pela vida de sacrifício.

 

  (antonio)

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