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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Pela ruralidade - CXXXIX(De Fornelos, Cinfães, para o Rio)

O porto de Leixões ficou concluído em 1895, ano da circulação do primeiro automóvel em Portugal. Mas já antes, no ano de 1886, entrava o primeiro vapor no porto ainda com as obras em andamento.

Foi a partir da funcionalidade deste porto que os emigrantes embarcavam para o Brasil. Até aí era no Rio Douro, junto ao actual Largo do Terreiro onde existia a alfândega, hoje Casa do Infante, eram aí feitos os embarques e desembarques de pessoas e mercadorias.

Um dos emigrantes para o Rio de Janeiro nessa altura, no fim do século XIX foi o meu avô, que não conheci. Fazendo um estudo retrospectivo sou levado a concluir que de Macieira, Fornelos, certamente a cavalo, acompanhado por algum amigo da terra para ajudar a levar as trouxas e recolher de volta o equídeo, estradas não havia e a distância a percorrer não era pêra doce, foi apanhar o comboio da linha do Douro na estação de Mosteirô. Pode-se também especular que teria feito a viagem até ao Porto no barco rabelo, mas inclino-me mais para a primeira situação, o comboio foi o rápido meio de transporte que veio revolucionar todo o interior do país. Chegado à estação de S. Bento no Porto dirigiu-se para Leixões para seguir no vapor para o Brasil com escala em Lisboa. Como a linha de Leixões ainda não existia, foi construída mais tarde a partir da estação de Ermesinde na linha do Douro, está posto de parte esse trajecto. Da estação de S. Bento para Leixões teria o meu avô ido de eléctrico ou em carro de aluguer, passe o eufemismo, puxado por equídeos.

Moço de lavoura, sem bens próprios, fez-se à vida lá no longínquo Brasil, onde foi condutor de carros puxados a cavalos com licença que o habilitava, (eram os actuais carros de praça). Abanou a árvore das patacas, não direi que por lá fez fortuna, é sempre relativa esta apreciação, em terra de cegos quem vê de um olho é rei, mas quando regressou já era o senhor fulano de tal, comprou terras, tinha muito gado vacum a penso nos cabaneiros das redondezas e era emprestador que apontava num livro, com aquela máxima da altura, em reciprocidade palavra dada valia como lei. Fez casa e na frontaria deixou a sua marca gravada na pedra com as siglas “E.P.G. 1908”. Para reforçar o status que este “brasileiro” adquiriu é de realçar a numerosa prole de afilhados todos com o primeiro nome do padrinho.

 À falta de outras informações desconheço se os seus ganhos adquiridos tiveram a ver só com a condução dos carros ou eventualmente noutros negócios. Do jornal “A Defesa de Arouca” sobre a notícia do seu falecimento em 1935, destaco a seguinte passagem:

…No grande país irmão, graças aos seus persistentes esforços adquiriu um pecúlio que lhe permitiria viver sem grandes canseiras. Porém numa questão que teve com o governo brasileiro, voltou a ficar pobre, sem um vintém. Não desanimou: voltou a trabalhar activamente, e, sendo protegido pela sorte regressou a Portugal com um avultado pecúlio.

 

Oportunamente vou digitalizar e aqui publicar a licença que meu avô obteve no Rio de Janeiro, para carros puxados por  muares.

 

 

    Ant.Gonç. (antonio)