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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto - CLXV(Ainda "O Porto")

As memórias da cidade devem ser escalpelizadas, irmos atrás colher ensinamentos do que melhor foi feito por um lado e por outro rejeitar os casos mais tristes.

Dei comigo a matutar o que a estátua  ”O Porto” tem para nos contar a partir do seu posicionamento original na frontaria dos antigos paços do concelho, onde esteve cerca de 100 anos, de frente para a Praça Nova actual Praça da Liberdade. “O Porto” assistiu às tertúlias literárias e políticas a céu aberto dos nossos maiores escritores, Camilo, Ramalho, Aquilino, Junqueiro entre outros e a todo o corrupio de carros de bois, tipóias, carrejões de calças remendadas presas à cintura por um cordel, tamancos de pau de amieiro, bem ferrados, carquejeiras e canastreiras, morenas de cara marcada pelo rigor do trabalho, descalças com saias compridas repuxadas na cinta, etc. que a partir da Ribeira se dirigiam para os pontos mais distantes da cidade. E assistiu também, “ o Porto” a um dos actos mais tétricos, pois foi ali na citada praça que os esbirros às ordens do rei absolutista D. Miguel enforcaram 12 liberais. As suas cabeças com verdadeiro sadismo inquisitório foram colocadas junto às casas dos familiares. (os nomes desses mártires estão gravados nas laterais do pedestal da estátua equestre de D. Pedro IV, na praça onde foram mortos, actual Praça da Liberdade).

O acto em si de enorme gravidade mas pasme-se a atitude degradante, reprovável dos frades dos conventos que ficavam na envolvência da Praça Nova, o dos Lóios e o dos Congregados. Pois deram vivas a D. Miguel, apoiando os enforcamentos das varandas, levantando taças de vinho do Porto e comendo pão-de-ló em sinal de gáudio. Eram certamente ainda resquícios da mal fadada inquisição. Facções da Igreja têm destas coisas que a vão descredibilizando.

 Ah, mas eu quis falar apenas do nosso “O Porto”!

 

 

  (antonio)