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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

Magistério6971

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Olhar o Porto e Gaia - CLII(Caminhada)

Um amigalhaço do tempo da tropa que encontro pontualmente alertou-me para uma caminhada nocturna a realizar em locais históricos do Porto e Gaia – Urban Trail. Não sabia bem os pormenores do evento, tinha sido a filha que o tinha despertado e inscrito, mas sugeriu-me para ir à net onde poderia ver detalhes. Assim fiz e daí a inscrever-me foi um passo. Não sou muito de ajuntamentos em grande escala, sou mais um caminhante solitário da cidade, mas desta vez lá fui na onda e fiquei avezado.

Pagar para caminhar (8€) não poderá parecer muito certo, mas tendo em conta todo o aparelho da organização é aceitável, e a prova disso foi o elevado número de aderentes, partida e chegada da Praça da Ribeira.

Locais do Porto já eu conhecia, pensava. Mentira, há sempre algo desconhecido numa cidade que nos surpreende. Bem, mas em Gaia era o principal motivo da minha aderência. E com motivo, foi para mim o prato forte de sítios, ruas, ruelas, becos, escadas com subidas e descidas que faziam suar as estopinhas aos menos caçados nestas coisas. Valeu a entrega em pontos estratégicos de garrafas de água e pequenos queques e o tempo ajudou, esteve óptimo para estas coisas ao ar livre.

Passagem por locais paradigmáticos, por cima das muralhas Fernandinas nos Guindais, no miolo da Serra do Pilar, locais históricos de Gaia e até pelo interior das caves onde a paisagem era toda empipada (cubas enormes de carvalho como é de lei para amadurecimento do Port wine, toneis super barrigudos, barricas e pipas empilhadas).

A organização do evento pareceu-me eficiente,  três horas de percurso, ponte Luis I encerrada a metro e todos os locais onde se passava nada de chaparia a estorvar, o caminhante era rei. Acresce dizer que à mesma hora também havia uma corrida com partida e chegada à Ribeira com cerca de 12 Km passando também por alguns locais afectos à caminhada. Mas melhor será visionar o “Porto Canal” que acompanha sempre estes eventos.

 

 

     Ant. Gonç. (antonio)

Olhar o Porto - CLI(loja das cordas)

Há uma minúscula casa comercial tradicional de venda de cordoaria que fica na Rua Mouzinho da Silveira debaixo da entrada em rampa da rua do Souto, mal se dá por ela.

Precisava de um cordão, levei o velho de amostra, para um estendal tipo ramada. Fui lá por ser do meu conhecimento, mas desta vez estava  só a esposa do patrão. A troco de conversa sobre um Santo António, já bastante desfigurado, que está num nicho no interior da loja, um pouco escondido pelos rolos das cordas, disse-me a senhora que o santo era muito antigo, tão antigo como a casa comercial com cerca de 100 anos.

Era este comércio do sogro do patrão do meu marido que já aqui está há cinquenta anos, disse-me a lojista. Em pé de conversa atalhei, apetece-me dizer que esta casa comercial é das  mais antigas da rua!... Sim, é  das mais antigas, disse-me a interlocutora.

E depois fiquei a matutar na resistência desta casa, quando se assiste aqui e por todo o lado ao abre e fecha que se faz tarde. Mesmo ao lado loja de chinocas e rua abaixo, rua acima, mais do mesmo e do outro lado da rua idem aspas,  aspas, mas isto já não é notícia, comércio chinês, paquitanês, indiano, na baixa assentou arraiais.

 

  (antonio)

Romaria do Rosário

Todas as terras quer sejam aldeias, vilas ou cidades têm a sua festa anual, Gondomar tem a sua romaria do Rosário ou Feira das Nozes organizada pela câmara de Gondomar e confraria de S. Cosme e S. Damião.

É das últimas romarias do ano, dei lá ontem uma saltada, marcar o ponto, assim se pode dizer.

Nozes, sim nozes chilenas, sinais dos tempos. Óculos de sol a 1 euro, é a crise. Cachorros, porras, farturas, recheadas, pipocas, bifanas etc, era o que estava a dar para estômagos duros. Nunca fui, muito menos agora, dessas fritadas.

Sabe-se como são concorridas as romarias, não há bicho careta dos sítios mais recônditos, neste caso do concelho de Gondomar, que não se afiambre para ir até à festa. É assim aqui e em todos os lados onde a par do sentido religioso há todo um arraial de mundanices.

Missa cantada, pois claro e então a procissão precedida por dois garbosos cavalos brancos da GNR, com gente de status a pegar no pálio, sim que pé rapado aí não entra, são o climax da Romaria do Rosário.

 

 

    (antonio)

Olhar o Porto - CL(O puto desceu à cidade)

Era eu ganapo a modos que entre o chavalinho e chavalo, fato domingueiro a condizer com os sapatos feitos pelo sapateiro da terra, deixei atrás da porta as chancas e despedi-me também das vacas, láparos, galinhas perdezes bem como do cantador francês que à meia noite era um ferrinho, um regalo sonante mas que alertava a ladina raposa do sítio da capoeira. Do tareco, não, pois o filho dum gaio já há dois dias que não aparecia, tinha ido de certeza à gatice e depois quando chegasse, como aconteceu no ano passado, vinha um magricelas feito num oito.

Meti-me na carreira do Escamarão, arrotei vinte mil reis Cinfães – Porto, pelo bilhete que o Sr. Sebastião, carismático cobrador (já aqui num post falei nele) me cobrou que a mim e aos meus progenitores  custaram os olhos da cara. Vir à cidade não era para qualquer um, havia sempre aquela vaidade de presenciar a faladura “à moda do Porto” e ver os engravatados de pasta na mão. Lá na terra a linguagem era de sotaque beirão mas tinha a mais valia de ser mais comunicativa até com os animais.

O Escamarão à segunda feira chegava à cidade por volta das 07H30 da manhã, passava pela que ainda era serra virgem de Valongo e por Rio Tinto e Venda Nova já era um corrupio de bandadas de gente que iam para o trabalho. Às oito menos cinco ouviam-se as primeiras sirenes das fábricas para avisar os operários que a hora estava a chegar. E então às oito em ponto novo apito para se começar o trabalho fabril. Algumas como a da imagem tinham relógio na frontaria. As altíssimas chaminés de tijolo burro eram sinais de uma cidade em frenesim.

Quando a hora do refeição estava a chegar, carreirinhas de mulheres atravessavam a ponte Luís I, vindas de Gaia com açafates e condessas à cabeça equilibrados na rodilha, com o almoço e o almeiro para os familiares que trabalhavam no Porto. Das minhas memórias ainda há estas cenas!...

À noite, pelo menos uma vez o puto foi até à Praça a aí ficou deslumbrado. Estava no “ÉDEN” ao ver os néons, a máquina de costura a trabalhar por cima do palácio das Cardosas e do outro lado  no telhado do edifício da cervejaria Sá Reis a capa preta do homem da Sandeman a subir e a descer. Tinham dito lá na terra que quando se fosse à cidade devia-se usar de alguma contenção na postura, não ficar basbaque.  Os tripeiros gostavam de chacotear aqueles que vinham lá de "chima" com ar sarcástico “ó patego olha o balão”. Mas a apetência admirativa era mais forte! Por largo tempo o puto pacoviano esqueceu àquela hora os caminhos da terra, escuros como breu, apenas sinalizados por um ou outro arincu, luz eléctrica ainda não tinha chegado.

Esta era uma cidade do Porto, outra havia, a das ruelas das colinas de Pena Ventosa e da Vitória, onde luzes públicas mortiças escondiam a porcaria e a degradação daquelas zonas históricas mas pobres. Actualmente os néons acabaram na cidade nova, na outra a da cividade a limpeza das ruas está mais aceitável mas a desertificação é assustadora.

 

 

    Ant.Gonç.(antonio)

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