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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto - CVIII (Meia de tripas para o sr. engenheiro!)

Dizia-se que o hábito faz o monge. Há dias abordava eu em comentário com Maurício Branco os pergaminhos à portuga com que se alimentam alguns prof.s , Dr.s e Eng.ºs.

 Anos  setenta do século passado, ainda a Revolução dos cravos vivos (que agora estão murchos) não tinha vindo à luz do dia, andava eu a dar os primeiros passos na vida profissional tendo assentado bases na parte oriental da cidade do Porto. Não sei agora em que contexto, fui algumas vezes almoçar à Adega  Figueiroa que fica na Rua Sacadura Cabral a Cedofeita. Era frequentada na altura por estudantes, pois a centralidade universitária era por aquelas bandas.

Mas o que quero referir era o “savoir faire” da pessoa, dono talvez, que estava aos comandos da casa. Era um fulano expert que agilmente se dirigia para o potencial cliente que seria habitual ou não, mas se tivesse ar universitário era tratado com a deferência de engenheiro ou dr. Então o desenrascado maitre passé pedia para a cozinha em voz audível por todos os comensais o prato, solicitado pelo cliente, normalmente do dia:

Saia-se meia de tripas para o Sr. Engenheiro da mesa do canto!...

Claro que os futuros engenheiros ainda viam o canudo no fim do túnel mas ficavam com o ego levantado ao serem tratados duma maneira tão cortês. Quando o cliente estudantil vinha com o código civil debaixo do braço então era presumido que era de direito e aí:

Saia-se meia de vitela para o sr. Doutor.

São questões de servilismo cultural quando se dizia que nos cafés da baixa coimbrã o graxa tratava todos os clientes por dr.

 

 

  (antonio)