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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto - XCVII (Pela Baixa Papa-se)

Nesta altura com a vinda do Papa a Portugal anda tudo numa roda viva desde os agentes políticos aos da Comunicação Social. Se os primeiros até deram ao povo baldas para festejar e não trabalhar, os outros deliram com os directos, até parece que há a chegada de um novo Cristo à Terra. E todos ganham com a vinda de Sua Santidade, a grave situação do país é secundarizada e enquanto o pau vai e vem folgam as costas!... E a Igreja que nos últimos tempos tem sido acossada pelas piores razões tenta fazer um douramento para camuflar as fraquezas e enaltecer as virtudes. No debate de ontem na RTP 1 no programa Prós e Contra, que na minha óptica foi só prós, a moderadora bem queria trazer à liça os fracos da Igreja mas todos os intervenientes só se referiam às mais valias da vinda deste Papa e oposicionistas não apareceram.

 

 Hoje passei pela Baixa e como é natural grande reboliço a fervilhar na Avenida dos Aliados com os preparativos para a missa campal na Praça Humberto Delgado. O grande arquitecto que fez o que fez àquele espaço a esta hora deve estar todo roído ou talvez não, taparam-lhe o “espelho de água” que segundo ele foi feito à semelhança da  fonte de Médicis dos jardins de Luxemburgo, em Paris. E até as cadeirinhas pindéricas também foram de vela. As obras de arte, digo eu ironicamente se quiserem, nunca devem ser tapadas ou retiradas!... Bem, também esconderam a estátua Almeida Garrett mas essa já estamos habituados com as cascatas do S. João!

 

Pronto, apeteceu-me dizer estas coisas, se acharem que sou um não alinhado, acertaram, mas também nada tenho contra os que estão na linha.

 

 Fiquem bem, antonio

Visita papal

 

Visita a Portugal de Bento XVI em Maio de 2010

 

Seja bem-vindo a Portugal, Santo Padre.

Muito obrigado por ter privilegiado a cidade do Porto com a sua visita.

Humildes mas calorosas saudações cristãs do Francisco.

 

 

 

Conto infantil - "O Espantalho Poeta"

 

Eu sou o Espanta-pardais
Amigo da bicharada
Espanto todos os animais
Sem recurso à espingarda.

 

 

E era declamando este poema que todos os dias o Espantalho Poeta despertava os dorminhocos galináceos, num espaço recreativo onde exercia as funções de vigilante. Era um trabalhador exemplar. Sempre bem aprumado, trajava a preceito umas calças de bombazina, camisola de pura lã virgem, cachecol colorido, boné desportivo e nas mãos exibia umas cerimoniosas luvas brancas.
A sua principal função era manter-se bem atento às investidas das aves de rapina, contribuindo desta forma para a segurança e bem-estar de todos.

 

Dia após dia, lá permanecia ele no seu posto de trabalho, sempre feliz e contente. Cumpridor dos seus deveres, não exigia salário, não reivindicava subsídios, nem tão pouco de dias de descanso. Assim sendo, também estava isento de pagamento de impostos.

O Espantalho Poeta era imensamente feliz, até ao dia em que se apercebeu que algo de estranho se estava a passar. Os galináceos andavam agitados, alienados e muito agressivos uns com os outros. Exerciam frequentemente retaliações. Não se sabia bem ao certo qual a razão da drástica mudança de comportamento. Talvez por motivos religiosos, políticos, sociais, culturais e quiçá raciais, o que é certo é que iniciaram uma overdose de conflitos. Um peru suicidou-se; um galo chegou ao cúmulo de arrancar os olhos a uma galinha. Os patos, os galos, os perus, as galinhas, os gansos… iniciaram uma sangrenta guerra de capoeira. O terror estava instalado. Até os mais jovens, que iniciavam a sua história existencial cheia de emoções, não foram poupados. No território de agressividade não havia lugar para a comotividade do Espantalho Poeta. Este não conseguia aceitar as cenas que presenciava, principalmente de inocentes a serem mutilados sem compaixão. Deprimido, ansioso e até amedrontado, ansiava fugir daquele lugar. E não era para menos… é que a fúria podia chegar até ele. E assim foi.

Certo dia, o grupo de patos tendo como líder o “Patão”, agressivo e autoritário, começou a exercer bullying sobre o pacífico e trabalhor Espantalho.
Ferido no seu íntimo, entrou numa tremenda depressão. A sua vida começou a perder todo o sentido. Deixou de cantar, de ler as histórias, de brincar… e até de trabalhar.

Essa catástrofe emocional foi presenciada com grande alegria por parte das águias de asas redondas. Atentas à alienação e desleixo do infeliz Espantalho, aproveitaram essa situação para concretizarem as suas intenções. E assim aconteceu.
Certo dia, um grupo de predadores invadiu o espaço recreativo dos galináceos e banquetearam-se até se fartarem. Ora, foi a gota de água. O Espantalho Poeta foi despedido, não tendo direito ao fundo de desemprego, indemnização por rescisão unilateral de contrato, subsídio social de reinserção, nem tão pouco de segurança social e, o mais trágico, muito muito doente.

Cabisbaixo, muito envergonhado, retirou-se tristemente do local onde fora tão feliz e vagueou durante alguns dias, pelos campos montes e vales… Só pretendia esquecer o que ocorrera e encontrar um lugar onde voltasse a ser livre e autor da sua própria história.

Um empresário agrícola, conhecedor das boas referências do Espantalho Poeta, logo o contratou para espanta-pardais da sua propriedade. Reza a história que lá fora muito feliz, exercendo as suas funções sempre com grande dignidade.

Porém, os galináceos tiveram o castigo merecido. Perderam toda a sua liberdade. Nunca mais tiveram sossego, pois a sua preocupação principal era manterem-se bem atentos às investidas dos predadores - trabalho esse que fora executado durante longos anos, com grande dedicação, pelo Espantalho Poeta.

Moral da história: Cá se fazem, cá se pagam.                                    Com as saudações pacíficas da Benilde.

 


Então vamos preopinar…
Que tipo de bullying exerceu o grupo de patos sobre o infeliz Espantalho Poeta?

Prémio para quem adivinhar: Uma pedra parideira.