Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

Conto Infantil - É o bicho é o bicho (parte 2)

 

Edlineb era uma jovem e simpática princesa Moura que vivia no seu modesto castelo, mais conhecido por Torre dos Mouros.

Não se parecia com as princesas de contos de fada, belas e maravilhosas; outros encantos lhe eram atribuidos: a bondade, a simpatia, a honestidade... e a alegria que contagiava tudo e todos. Estava sempre pronta a ajudar os outros, numa tentativa de os ver felizes. Contudo, um pequeno defeito se lhe podia apontar – gostava imenso de pregar partidas às pessoas, não por maldade, mas para as obrigar a pensar. Eram partidas pedagógicas.

 

Vivia com a sua família que, para ela, considerava ser o seu maior tesouro. Colaborava como qualquer ser mortal nas lidas domésticas. Como sentia uma grande paixão pela Natureza, esgueirava-se para os campos de enxada e picareta, transformando inóspitas selvas em verdadeiras obras de arte.

 

Quando o lusco-fusco se aproximava e a natureza tomava uma tonalidade mística, que só ela conseguia sentir, afastava-se da povoação em direcção à floresta como que acedendo ao chamamento de algo mais profundo e espiritual. Aí  ouvia o silêncio e, absorvida nos seus pensamentos, entrava em sintonia com as vibrações do ambiente. Então fechava os olhos e, bem devagarinho, deixava-se envolver em todo aquele misticismo.

 

Certo dia, estando ela entregue aos seus pensamentos, a encaminhar uma formiguinha que a todo custo, carregava um grão de trigo, eis que ouviu um ruído semelhante ao pisar de folhas secas. Um pouco receosa, dirigiu-se nessa direcção a fim de averiguar o que se passava. Aproximou-se sorrateiramente e, bem perto de si, no fundo de um precipício deu conta de um pequeno ser de barbas brancas de olhos muito brilhantes sob um gorro pontiagudo. Logo, quis saber quem era. “Eu chamo-me Pimpão, sou um gnomo e habito esta floresta com os meus 22 amigos”.

A princesa nesse mesmo instante mostrou vontade de estabelecer amizade com todos eles. Subitamente, viu-se rodeada pelos simpáticos gnomos e quis memorizar os seus nomes, tarefa muito dificil pois todos eles eram muito semelhantes.

 A pequena princesa passou a partir desse momento a ser uma visitante assídua. Todos os dias abalava em direcção à floresta, carregada de livros de histórias para ler aos seus novos amigos. Passava longas horas a dar-lhes a conhecer um novo mundo que eles ignoravam.

Certo dia, Pimpão demonstrou uma grande curiosidade em aprender a ler. Ora, era desse clique que Edlineb tanto ansiava. Então, todos muito entusiasmados iniciaram a primeira lição. Munidos de paus pontiagudos escreviam, com a ajuda da princesa, os seus nomes na terra molhada e tentavam adivinhar os gatafunhos que cada um desenhara.

Ao fim de alguns dias já todos identificavam os nomes. Passaram, de seguida, à fase dos saltinhos. Cada um lia o seu e saltava a cada som. Pim – pão, dois sons, dois saltinhos - Que curioso! Exclamava Pimpão. Já sei ler a palavra pão. Sabrin e Lupaco também quiseram participar no jogo. Mas que desilusão! É que não conseguiram identificar sequer uma palavra. Então, Edlineb deu-lhes uma pista. Tentem agrupar os sons dos dois nomes. Após várias tentativas os dois amigos, com grande entusiasmo, revelaram ter descoberto a palavra brinco. Essa actividade manteve-se por muitos dias e como ficavam radiantes com a descoberta de novas palavras! Também adoravam escrever as palavras ao contrário e achavam o nome da princesa muito mais bonito lido de trás para a frente. Ao fim de algum tempo já todos liam correctamente. A princesa sentia-se tão feliz!

 

Certo dia, estando Edlineb muito atenta a seguir a leitura de cada um, quando de repente, algo muito estranho trespassou pela sua blusa. A jovem princesa agarrou com toda a força aquilo que logo pensou ser um misterioso bicho. Aterrorizada encheu de ecos os confins da floresta com o ruído desesperado e trovejante da sua voz. – É o bicho é o bicho.

Os gnomos muito desesperados suplicavam para que a sua amiga o largasse, mas em vão. –Eu não consigo. Atormentada corria de lado para lado, num desespero que fazia dó. Os gnomos seguiam os seus passos, rodopiavam à sua volta, insistindo para que a princesa se acalmasse.

Passado algum tempo eis que no horizonte numa estrada sinuosa, surge em grande galope um lindo cavalo branco. De crinas ao vento corria desenfreado em direcção à floresta. Chegado lá, um elegante e belo príncipe  apeou-se rapidamente, dirigindo-se à pequena princesa que continuava em pânico. Pegou respeitosamente na sua mão e, com muita ternura pousou um longo beijo no seu rosto tão sofrido. Como por magia Edlineb abre a sua mão e o horrendo e ignóbil bicho transformara-se num maravilhoso e delicado BRINCO cravado de pedras preciosas, com dois enormes diamantes semelhantes aos olhos de um bicharoco. A princesa ficou tão atónita que nem deu pelo desaparecimento do príncipe, para lhe poder agradecer. Ainda incrédula olhava o valiosíssimo pingente que fora a causa de tanta dor. Os gnomos deram vivas e, com grande alegria, festejavam o fim do tormento da princesa e de tantos outros que teimosamente se agarraram ao bicho, não o deixando escapar e assim poderem dar asas à sua imaginação. 

 

Reza a lenda que o príncipe vive na Torre dos Mouros há uma eternidade e, somente aparece para socorrer as princesas em apuros.

Edlineb, a simpática princesa, continua a deambular pela floresta, à hora do lusco-fusco, fazendo a suas aparições com o intuito de pregar partidinhas aos seus amigos.

 

Com saudações principescas, Edlineb