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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Frase do dia

"Se ele tinha hipótese de comer uma sardinha fresca não ia comer uma velha"

 

(Frase de um cliente do café da terra, paróquia de Carvalho, Celorico de Basto sobre o enlace do jovem padre com a ainda mais jovem Fátima de 18 anos), JN de ontem.

 

   (antonio)

Pela ruralidade - XLIX (Moinho em vão)

Estávamos em Dezembro nos finais dos anos cinquenta, as noites estavam frias, a neve já tinha aparecido e pelas manhãs via-se o codão estaladiço nas couves-galegas do quintal. Era assim com naturalidade que se assistia ao rigor próprio do tempo, as alterações climáticas ainda não se faziam sentir.
Havia já alguns meses que o bacorinho tinha sido comprado desta vez não na feira mas a uma vizinha que tinha “botado” uma porca de raça. Agora depois de ter engordado com muitas baldadas de lavagem, tinha ido à faca, doze arrobas bem pesadas! Lá por casa na aldeia a rotina agrícola tinha então agora sido pontuada com a matança do porco, e com a desmancha  boa oportunidade para se encher a salgadeira e de ornar o saco da grande chaminé com o fumeiro.
O serão à luz da candeia foi predestinado para a feitura das chouriças, mouras, morcelas, salpicões e paios. Panelas, talhas e alguidares a postos com várias carnes em vinha d´alhos de lombo, pás, barrigas, caluba, rabada e os miúdos. A caseira veio ajudar, era trabalho de mulheres, a encher a tripalhada, que já tinha sido devidamente higienizada na levada no dia anterior, para que tudo ficasse pronto nessa noite. O meu trabalho era cortar os cordéis e ajudar a atar os enchidos. Estava-se a meio da tarefa e eis que minha mãe para, fica perplexa com um suspiro de preocupação e exclama: - Eh ó …(nome da caseira), esqueci-me de ir parar o moinho, a dorneira deve estar a ficar sem milho, e não pode ficar a moer em vão… Bem, alguém tem de ir lá. Ficava no ribeiro, que nesta altura de Inverno ia assanhado, a cerca de 15 minutos de caminho a passo lesto. Foi então a caseira que se predispôs a ir ao moinho puxar o pejadouro, e assim pôr a água fora do rodízio para que não ficasse toda a noite a gastar pedra, a mó tinha ainda sido picada há uns dias e os restantes consortes não veriam este descuido com agrado. Coube-me a mim acompanhá-la levando o lampião para cortar o escuro apesar de conhecermos bem o caminho.
Agora à distância vemos que o moinho da crónica está abandonado com toda a espécie de vegetação a abafá-lo bem como os outros que havia naquela linha de água. E o antigo caminho que lhe passa ao lado, que em documentos de há 150 anos era apelidado de estrada, (a actual estrada da minha terra que foi de macadame e agora é de alcatrão era ainda uma miragem) está intransitável. Tentei chegar ao moinho para registar uma imagem mas o silvado (ver imagem) não me permitiu apesar de ir munido de enxada e podão e muita força de vontade. O progresso do modernismo esqueceu estas memórias, ao menos sejamos nós aqui a perpetuá-las.
 

 

  Fiquem bem, antonio