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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Pela ruralidade - XLVII (O semeador)

Já por aqui falei que a carreira do Escamarão transportava no tejadilho toda a sorte de mercadorias até algumas de inusitadas dimensões. Nos meados dos anos sessenta do século passado andava eu às voltas num Externato de Castelo de Paiva a preparar-me para o antigo 5º ano, a tropa estava à bica e o curso na EMPP foi só depois de passar à peluda chegado de Angola são e salvo.
A agricultura no país estava ainda no auge, as fronteiras estavam fechadas de modo que quanto mais se produzisse tanto melhor, o consumo interno assim o solicitava. Os trabalhos nos campos eram de sol a sol e até muitas vezes de noite no tempo das regas ou altas madrugadas para ir para a roça no monte (ver link). Não havia pequena leira que não estivesse cultivada, sendo o milho a cultura predominante. O meu pai tinha ido à feira quinzenal a Castelo de Paiva e encomendou a feitura de um semeador ao serralheiro que embora não fizesse a feira, tinha a oficina nas imediações da vila. Era figura conhecida, pai de um padre que mais tarde deu o fora.
Daí por uns tempos o frete ficou cá para o rapaz de fazer chegar lá à terra o semeador. Eu e o meu colega Azevedo, um crânio sobretudo na Matemática que se formou em engenharia, a quem pedi ajuda fomos buscar a cerca de um quilómetro o referido apetrecho agrícola que conduzimos, ele à frente a puxar e eu na condução (tem duas rodas de ferro) até ao centro da vila, local da paragem da carreira do Escamarão que vinha do Porto. Através da escada da retaguarda lá se carregou o dito pela mão eficiente do cobrador de sempre Sr. Sebastião, foi até ao Couto de Souselo fazendo aí transbordo para outra camioneta que fazia carreira para a minha terra. A coisa era gira, encostavam-se as duas lado a lado na estrada, quem viesse que esperasse, e as mercadorias eram transferidas dum tejadilho para o outro.
O meu pai e o caseiro estavam à espera lá na terra e ajudaram a fazer chegar ao macadame o tão desejado semeador. Podemos agora gracejar dizendo que era tecnologia de ponta para a época, vê-se na imagem e está agora a dormir num sono eterno não por inoperância pois está funcional, mas porque as terras já não são trabalhadas. É uma das peças carinhosas do “meu museu” por aquilo que acabo de descrever.

 

  Fiquem bem, antonio