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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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As cores e os sabores do Outono

Ai como eu gostava de saber pintar as cores do Outono... Que quadros fantásticos eu haveria de produzir... E que paisagens indescritíveis havia de retratar... E se eu fosse poeta? Como eu gostaria de eleger as cores do Outono... E escritor? Se eu fosse escritor, registava o leque de cores de Outono que encontrava a partir de hoje... Mas não sou. Não sou nem pintor, nem poeta, nem escritor. Mas sou um ser humano com os 5 sentidos em bom estado. Tão bom que tenho o prazer de recordar o que está na minha memória olfactiva e foi adquirido dos 9 aos 12 anos, numa aldeia chamada Cabeçais, freguesia de Fermedo, concelho de Arouca, distrito de Aveiro: aquele cheiro característico das uvas americanas. E hoje, ao passar na Rua do Encontro, freguesia de Paranhos, concelho e distrito do Porto, recordo com satisfação esse perfume. Eu disse satisfação? Não chega. Ele é satisfação, alegria, saudade e eu sei lá que mais. E não é só a minha memória olfactiva que é sensibilizada neste início de Outono. É também a minha memória auditiva. Aqueles sons característicos do cacarejar da galinha e do cantar do galo... Aqueles sons do meio da tarde de início de Outono... Ainda hoje os posso sentir ao passar na Rua do Encontro. Que saudades... É indescritível ! E que bom que é poder recordá-los numa cidade cheia de betão. Quanto ao tacto, nem é bom falar no que sente a minha memória táctil quando toco os figos que caem da figueira ou a pele dos marmelos que ainda estão nos ramos vergados pelo peso... Quanto ao gosto ou paladar, já me cresce água na boca só de pensar no magusto e naquelas belíssimas castanhas assadas... Quentes e boas, apregoava o vendedor de castanhas cozidas que carregava um enorme cesto trazido à tiracolo com um enorme saco de serapilheira donde se via fumegar e donde se sentia o cheiro das saborosas castanhas... E que feliz que eu sou por ver, diariamente, como crescem os ouriços nos castanheiros... Ai as cores e os sabores do Outono... Saudações outonais do Francisco.