Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

Pela ruralidade - XXI (O Antoninho)

Já aqui neste blog tive oportunidade de me referir à minha professora primária. Fazia parte daquela gesta de mestres da velha guarda em que a aprendizagem era levada a sério não como agora que anda-se num faz de conta. Apesar da sua dureza é ainda hoje recordada pelos antigos alunos, muitos não teriam passado da cepa torta sem o profissionalismo da professora.
Há apenas um senão que hoje à distância aqui quero trazer. Eu era filho do Sr. Antoninho, pequeno proprietário, e neto do Senhor Eduardo um torna viagem que tinha ido para o Brasil com uma mão à frente e outra atrás , mas no regresso usava correntes de ouro e relógio de bolso no colete e tinha comprado terras de pão. Foi na capital federal nos finais do século XIX, julgado perito e idóneo, pela “Comissão de peritos para exame de cocheiros”, para dirigir carro de 4 rodas puxado a dois animais, e neste modo de vida por lá ganhou uns trocados.
Bem, neste cenário eu era tratado pela professora por “Antoninho” e por “você”!... Claro que os meus colegas da escola, filhos da caseirada, os Joaquins e os Manueis, eram tratados pela professora sem bonomia, quando até devia ser ao contrário. E o mais caricato é que numa imitação dos alunos pelo mestre, os meus colegas tratavam-me com igual reverência. Hoje à distância tentamos compreender a razão desta aparente discriminação com uma questão cultural e concluo que o mais discriminado fui eu, pois que me distanciava dos meus companheiros de escola. Hoje sou um “tu cá” “tu lá” “tu p´ra cá”, sem complexos.
 

 

   Fiquem bem, antonio