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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Pela ruralidade - XIX. A bola de borracha

Lembro-me do meu avô materno, era eu ainda um ganapito a iniciar a aprendizagem das primeiras letras, à hora do almoço (na aldeia sempre se disse jantar) sentado na cabeceira da mesa rectangular, numa cadeira de braços, na espaçosa cozinha. Guardanapo, que seria um pano a servir como tal, colocado entre o pescoço e o colarinho da camisa, era ele que cortava a carne que vinha para a mesa na grande travessa de barro, e dividia pelos restantes pratos (da mulher, filhas e netos). Como era negociante de gado sabia comprar a melhor carne que fazia questão de trazer para casa nos alforges.
Para as longas viagens de negócios através de terras de Cinfães e limítrofes, tinha um cavalo castanho, crina bem penteada, cabeçadas e rédeas de cabedal genuíno, bem calçado sempre pronto quer de noite ou de dia. A apelação de um conceituado negociante espelhava-se também na categoria da montada, bem escovada, adornada com sela de fino trato, com as fivelas das correias a brilhar.
Todos os anos ia passar uma semana às termas de Melgaço. Uma vez trouxe-me um realejo, como se dizia, gaita-de-beiços penso que é a designação mais adequada. Como fiquei radiante com aquela prenda! De outra vez trouxe-me uma bola de borracha. Eu até sonhava com ela! E então para os meus colegas de escola que só conheciam a bola de trapos, era um deslumbramento! E cada vez que o meu avô ia para as termas, ficava expectante… O que é que me irá trazer!...
Bons tempos em que os brinquedos eram guardados e amados por muito tempo pelos miúdos. Hoje com a vulgaridade assiste-se ao desinteresse, o que de manhã é encorajado à noite é esquecido para no dia seguinte obter outro brinquedo. A sociedade consumista dá azo a estas malfeitorias!...
Ah, da minha avó, guardo uma boa recordação: deu-me um já velho dicionário de português com lombada em pano de Francisco Torrinha ao qual de vez em quando ainda me socorro.
Mas do que eu gostava mesmo era daquela bola de borracha que me deixou nas núvens!...

 

 

 

   Fiquem bem, antonio