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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto - XLI ,são joanino

Ainda não foi desta que tive oportunidade de dar uma esticadela às canetas pelas ruas do burgo na noite de S. João. Estamos condicionados ao meio familiar que achou melhor ficar cá por casa a digerir as sardinhas assadas, desta vez saboreadas com a família e uns amigalhaços. Entretanto o céu começou a ficar semeado de balões que apesar de serem proibidos devido à probabilidade de originarem focos de incêndio, à boa maneira portuguesa, ninguém liga puto. Uns fogachos de foguetório eram a cada passo ouvidos na abóbada celeste. Mas o melhor da festa, essa estava anunciada, era ali no Rio Douro em frente à Ribeira onde as artes pirotécnicas se esgrimiam. Menezes do lado de Gaia e R. Rio do lado do Porto sorriam de contentes pois eles bem sabem do que o povo gosta!... Antigamente dizia-se “putas e vinho verde” numa linguagem de basfond da cidade!... Não vou tão longe!...
Bem, mas vamos às memórias. O alho porro quase que se foi. As sardinhas na noitada e o carneiro no dia, mantêm a tradição. As primeiras já não pingam (também elas apertaram o cinto!), outrora comidas com broa pois claro, já que  o molete, trigo, pão, papo seco ou lá o que lhe queiram chamar era um luxo, mas o seu sabor com pimentos e bom tintol de Amarante enchem as medidas. Quanto ao bom carneiro, criado nos pastos, agora já entram rações, outrora assado no forno a lenha, aquecido a carqueja, vinha desde os tempos de antanho lá das terras do Douro nos barcos rabelos, vivinho como a sardinha da costa. Mais tarde e já nos nossos dias, eram transportados em camionetas que parqueavam na marginal entre a Ponte de D. Maria e a Luís I. Aí as rezes eram preparadas à vista do comprador, as entranhas eram jogadas sem escrúpulos para o Rio Douro. Paulo Valada, presidente da C.M.Porto pôs fim a este espectáculo degradante.
Os manjericos, alfádega, raminhos de erva-cidreira e de limote (ontem comprei um) o célebre alho-porro eram os aromas que a partir das Fontainhas punham a cidade, juntamente com a fumarada das sardinhas, num ambiente odorífero entrosado com as cantorias do conjunto “António Mafra”. O S. João era isto e continua nos dias de hoje, embora noutros moldes, o povo sai para a rua, martelada aqui, martelada ali mas nada de “aproveitanços”, ou talvez sim!...
E agora que a noite já vai indo e a orvalhada começa a resfriar, vou mandar abaixo mais uma sardinha e um copo de maduro tinto alentejano (os médicos p´ra saúde aconselham o maduro, há dias li, pasme-se, que até tem qualidades de rejuvenescimento) e viva o velho!...
 

 

   (antonio)