À mulher de César não basta parecê-lo! "Eu sou o responsável pelos projectos que assinei", disse o nosso primeiro. Mas valha a boa verdade, uma pessoa que aparentemente sempre foi pelo ambiente, não compreendemos como foi possível assinar aqueles mamarrachos que a SIC Notícias nos mostrou.
Sócrates deve ser julgado pelo que está a fazer e não pelo que fez., aceito. Bem, o adágio aplica-se que nem uma luva: olhai para o que eu digo e não para o que faço.
É natural que assim um título tão sugestivo provoque nos meus amigos um sorriso disfarçado e ávido para descodificar as minhas hipotéticas malandrices: como, quando e onde. E mesmo estas com o amadurecimento que a vida nos proporciona são à distância encaradas com bonomia. Há um estrato social que gosta de escamar o parceiro numa do melhor voyeurismo, mas os habituais leitores deste blog certamente não vão na onda. Tinha eu sido colocado, após o curso acabado, numa escola da Foz do Douro, no Passeio Alegre com vista panorâmica sobre a confluência do Douro com o mar. O edifício ainda lá está, por sinal muito vistoso, se bem que com outras funções. No tempo da vereadora da Educação no consulado de Fernando Gomes à frente da CMP, tinha-se previsto fazer lá o museu da Escola Primária. Depois de muito trabalho feito nesse sentido com inventário de material antigo pelas escolas do Porto, a coisa esfumou-se.
Bem, mas o que eu quero dizer é que quando cheguei à escola fui confrontado com uma turma de espigadotes do 4º ano com uma série de repetentes como na altura se dizia. Um colega apresentou-me à rapaziada, ainda havia a separação de sexos, na sala, quando na troca de olhares entre mim e os meus futuros pupilos há uma voz lá do meio que quebra alguma discrição e solta: - Olha o bigodes!... (Referia-se ao meu visual dos anos setenta). Claro que houve uns risinhos de fum, fum, em todos os elementos da turma. Não dei parte de fraco e o meu colega experiente, com ar de poucos amigos pôs tudo ali em pratos limpos, com respeitinho como convinha, e o que poderia ser um apalpar de pulso ao novel professor não passou de uma tirada pontual. Esta foi a minha primeira vez à frente duma turma!...
Trindade Coelho no seu livro “Os meus amores” diz-nos que o seu professor não foi tão brando perante a indisciplina reinante na turma, quando chegou pela primeira vez à escola levado pela mão da governanta:
"caluda, sua canalha!
caluda que vai tudo raso com bolaria!
...
caluda, seus fedelhos! caluda, começo numa ponta e levo tudo a eito, corro tudo a bolos;