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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto

Muito já se falou sobre a alteração visual da Avenida dos Aliados no Porto. Porque fazemos parte daqueles que gostam da cidade e por isso vamos levantando a voz, há sempre a esperança de sermos lidos.
Como já conheço as pedras da calçada, como é uso dizer-se, vou-me familiarizando com o que gosto e o que não gosto.
As pindéricas cadeirinhas que foram colocadas à volta do espelho de água que mais parece um tanque dos anos 50 de dar de beber ao gado, mexeu com a minha sensibilidade. Parecem fazer parte daquelas brincadeiras de crianças, em miniaturas de joguinhos faz-de-conta. E então o pormenor de estarem agarradas ao chão por cabos de aço que prendem numas argolas!...
Na minha terra há ainda hoje à entrada da “venda” uma argola que era para prender os equídeos enquanto o dono ia beber uns canecos. A venda fechou há dois anos por falecimento do seu proprietário, não houve seguidores até porque devido à desertificação da aldeia o negócio ia fraco. Nos meus verdes anos era sobretudo o burro (por sinal era um macho) do moleiro que ficava ali preso enquanto o seu detentor encharcava as velas, leia-se, mandava abaixo uns quartilhos.
Na Rua de S. Bento da Vitória, no Porto, muito perto do edifício onde funcionou a P. J. pode-se também ver uma argola à entrada de uma casa de pasto, com a mesma finalidade. Ainda hoje se utiliza a expressão com espírito depreciativo “alimentar um burro preso à argola”, certamente querendo dizer que burro parado não puxa carroça.
Tenho também já visto cachorros presos à entrada de supermercados e até confeitarias enquanto os donos vão fazer as compras.
Se nestes casos as argolas se justifiquem para que os animais fiquem estáticos, já no caso das cadeirinhas foi talvez para travar alguma sacanice de algum romântico enfurecido com a retirada dos jardins, que pudesse atirar alguma para o “lago” o que iria certamente poluir a água mais do que está, e assustaria as pombinhas que ali se banham. Bem, no Verão são os putos que se refrescam!...
Vamos agora finalizar com um final feliz à moda das belas histórias. Na intervenção na Rua de Stª. Catarina para colocação dos carris para o eléctrico está a ser reposta  a calçada portuguesa de calcário e basalto. Ainda bem, pois temíamos que a coisa descambasse para o monocórdico cinzento cubo, mas a honra do convento aqui foi salva!

Fiquem bem, antonio