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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto

 

Quem não tem nada para fazer no sentido laboral, ou é reformado no pleno uso dos seus direitos ou poderá ser um manguela, parasita que vive à custa do suor que foi derramado pelo primeiro.
Fazendo uso dos conselhos do médico de família, em relação aos desligados da rotina diária da ida para o emprego, cujo lema é “mexa-se pela sua saúde” fui hoje pela Rua da Madeira, (ver imagem) não passava por lá há muitos anos. Vai da Praça da Batalha mesmo junto ao hotel Mercure (Grande Hotel da Batalha foi o nome com que sempre o conheci e que perdura no meu subconsciente) e vai até à Praça Almeida Garrett. É bastante desnivelada, parte da rua são escadas donde se avistam os comboios no interior da gare de S. Bento. Junto à estação há os WC mais concorridos da cidade. E a afluência é cada vez maior devido ao fecho de outros que havia – Praça da Batalha e Avenida dos Aliados.
Ali mesmo à ilharga da Praça da Liberdade, R. 31 de Janeiro e Praça Almeida Garrett temos ainda gravada a imagem de dois “gravateiros” ambulantes: um, homem espadaúdo, outro, baixote e anafado. Faziam pouso por ali certamente na mira de negócio com algum provinciano chegado no comboio do Alto-Douro. Na altura do Outono também andava naquele local o “castanheiro” que vendia castanhas cozidas e que trazia dentro dum cesto a tiracolo, coberto com um saco de serapilheira, “quentes e boas”, eram vendidas enfuniladas em papel de jornal (mais tarde em folhas das “páginas amarelas”). Mesmo em frente do outro lado da rua, junto à igreja dos Congregados, a vendedora de raminhos de violetas aliciava os transeuntes apressados em especial os jovens namorados ou até algum maduro a levar lá para casa no intuito de suavizar a relação; a senhora de roupa branca que anunciava “rebuçados da Régua” “rebuçados da Régua”!... também tentava a sua sorte. À hora do almoço o homem da lotaria batia os restaurantes da área anunciando o número da sorte: “p`ra baixo e p`ra cima”, de voz timbrada, que se ouvia à distância, o libidinoso cauteleiro metaforicamente referia-se à terminação de determinado número.... O filho dum gaio com esta treta fazia o gáudio dos comensais, safava a jorna pois havia sempre quem puxasse pelos cordões à bolsa numa atitude bazofiadora enquanto as caras metades esgrimiam um sorrisinho maroto.
Tudo isto foi há 35 anos, que recordo com alguma nostalgia estes usos que se vão perdendo, uns por ordem natural das coisas, outros por imposição de normas da CEE (sobre isto sugiro visionamento de Travessa de Cedofeita onde se vê que uma das razões para o fecho da Casa Margaridense especializada em pão de ló, marmelada e geleia foi o facto de não ser autorizado o aquecimento dos fornos com carqueja que vinha de Castelo de Paiva!... É pena que a cidade vá perdendo a sua identidade!

Fiquem bem, antonio

 

Pós-Texto: É de lembrar também a figura do ardina que está perpetuada numa escultura na Praça da Liberdade junto à Igreja dos Congregados. Havia os que tinham pouso certo, aqueles que andavam nos transportes entrando aqui e saindo acolá e outros que embora andassem pelas ruas tinham uma área mais definida. Nos anos sessenta a cidade estava mais humanizada, os acontecimentos corriam de boca em boca. Agora o que se constata? Pode haver um assassinio num andar que muitas vezes os restantes condóminos desconhecem.

O ardina anunciava "Olhó crime"! Olhó crime"! Estou agora a lembrar-me daquele célebre crime da Rua do Sol, naquela data, cujas investigações eram anunciadas pelo ardina. Aqui o sapateiro que voluntariamente tentava dar pistas à Polícia tinha sido o autor da morte e do roubo das joias da senhora.

São João no Porto - contagem decrescente - 2

A mão amiga do Sr. Maurício Branco colocou-me em mãos um livro que nos ajuda a reviver o S.João no Porto. Trata-se de um guia turístico do Porto, por Noel de Arriaga, edição de 1965 e diz, a páginas 18:

"Festas Populares - Talvez não deva, sem falsear a verdade, afirmar-se que a população do Porto demonstra, no seu viver habitual, vincada exuberância de alegria, embora essa alegria interiormente possa muitas vezes existir.

O facto tem origem na fisionomia um tanto grave da sua gente, na tradicional solenidade dos costumes, no ambiente de trabalho que por toda a parte se vive e se respira.

No entanto, durante as festas dos santos populares (sobretudo na noite de S.João, de 23 para 24 de Junho) o Porto como que «perde a cabeça» e sai inteirinho para a rua, onde a festa é movimentada e rija!

Toda a cidade se transforma então num autêntico mar de luz. Milhares de lâmpadas coloridas formam vistosas decorações de saboroso engenho.

E dança-se e canta-se numa alegria esfusiante.

Rapazes e raparigas, velhos e crianças enchem por completo avenidas e largos, ruelas e pátios, onde bandas de música improvisam bailaricos saltitantes e bandeirinhas de mil cores se agitam em alvoroçado estremecimento.

Nas Fontaínhas é tanta gente que se torna difícil romper. Entretanto, os foguetes estalam, riscando o céu e morrendo em pequeninas síncopes de luz.

Barracas de «comes e bebes»; os tradicionais Zés Pereiras; as orvalhadas; verdes manjericos onde sobressaem cravos de papel, aos quais estão presas deliciosas quadras populares.

E a alegria domina e cresce; os namorados ajustam as mãos numa promessa fugaz; e o céu parece reflectir a exuberância daquelas noites em que, por milagre piedoso de S. João, até os pecadilhos se perdoam e os beijos de amor não passam de simples beijos de amor...

Ao romper da madrugada, extinguem-se ainda os últimos ecos da festa rumorosa, e, nos copos de vidro grosseiro ou nas canecas de loiça, seca a derradeira gota de vinho que alegrou os corações e retemperou as forças."

Saudações sanjoaninas do Francisco.