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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

Magistério6971

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Deambulando

A tarde estava convidativa para andar pela cidade observando aqui e ali o pulsar dinâmico ou estático da urbe.

A penantes saí aqui de casa não sem antes  decidir se iria de manga curta ou comprida. Desço à marginal, passo sobre os pontões do R. Torto e R. Tinto e  sob uma, duas, três, quatro, cinco pontes a sério,(Freixo, S. João, Maria Pia, Infante e D. Luís) algumas carreando o intenso tráfego outras nem por isso. Refiro-me à Maria Pia que está mesmo abandonada! Será que não haverá na cidade massa encefálica capaz de dar utilidade a esta ponte? Mas se ideias houver não devem ser entregues ao tal arquitecto que andou nos Aliados a fazer o que não devia.

Descarregamento à parte, esta marginal é um espectáculo. Toda ela do lado do rio suportada com muro de boa cantaria encimada por murete de segurança para os peões de pedra faceada. Em vários locais devido ao intenso tráfego foram derrubadas pedras tendo caído na margem do rio onde ainda se podem ver. O que fizeram as autoridades a quem compete a manutenção? Simplesmente fizeram os lanços de murete derrubados, em betão quando seria mais razoável içar as pedras e colocá-las no devido lugar. Então agora há maquinaria! Algumas estão partidas, mas faziam-se outras. Tenho uma amiga que diz e eu corroboro: agora só sabem destruir!

Bem, mas a tarde não era só para a marginal. Cheguei à Ribeira e subi S. João, R. das Flores, Mousinho da Silveira... Sempre com o nariz no ar. E que observo? Aquilo que estou farto de constatar! Uma cidade  abandonada onde se chega ao cúmulo de entaipar as portas e janelas com blocos de cimento certamente para os drogas não entrarem. Ao nível da rua algum comércio tenta resistir, já muito vindo do Sol Nascente, não sei até quando!...

Mais acima entro na parte mais nobre (já foi) da cidade e aí até os bancos deram o mau exemplo: edifícios fechados já há anos.

Esta foi a minha vista diurna da cidade. Qualquer dia vou fazer uma visita nocturna, certamente terei de ir com segurança, e depois direi o que vi.

 

Saudações, antonio

CONVITE PARA O TEATRO

 

Não pensem que é para ver uma qualquer peça. É a adptação da sátira” A RELÌQUIA” de Eça de Queirós.

Encontra-se em representação todos os dias desta semana, até ao dia 12 inclusivé, pelas 21h e 30m no Palácio da Rua das Flores.

É uma co-produção das Produções Suplementares e de alunos da E.S.M.A.E. Estes, trabalham em espaços alternativos, tais como: ruas, barcos e ou como neste caso, uma casa abandonada. O autor e encenador é Lee Beagley, que por sinal me era desconhecido e que muito passo a apreciar. È um trabalho de grande criatividade, e tal como se escreve no programa que eles divulgam, de “ uma performance melancólica, surpreendente e nostálgica”.

É realmente fabulosa e surpreendente. A sátira tem agora uma  dimensão paralela, que a torna divertidíssima. As ruínas do palácio  servem-lhe de cenário e uma sensação “agridoce” nos assola continuamente.

Os bilhetes vendem-se ao lado, no café  Branca Flor, e se forem cedinho, haverá certamente bilhetes. O nº de entradas é limitado (40 pessoas), o que,  pela sua singularidade, compreenderão.  

Espero que no fim da peça, se encontrem com a disposição e satisfação com que eu estou  agora.  Não será uma preda de tempo...Muito pelo contrário... e mais não digo. Não faltem e digam-me se gostaram.

Subterrâneos do Porto

 Ei-los! Os aventureiros! os exploradores! Os destemidos que no passado dia 28 de Outubro de 2006 se lançaram na aventura e na exploração dos Subterrâneos do Porto. Eram 14h30 quando se juntaram na Praça 9 de Abril ou Jardim de Arca d'Água. Pelas 15h00 já estavam a descer para o subsolo. E depois de muito suor e alguns quilómetros, os resistentes posaram para a posteridade, pelas 17h00, na escadaria da antiga Faculdade de Engenharia da Rua dos Bragas e actual Faculdade de Direito da Universidade do Porto. Não tendo terminado aqui o percurso, estávamos a escassos minutos do fim da linha. Embora cansativo, foi tão agradável este périplo que o recomendamos vivamente. As expressões de todos nós testemunham-no, claramente.Da epopeia há recordações que podem ser visionadas em

http://fotos.sapo.pt/umdocurso

«Em Manancial de Paranhos/Mina de Arca d'Água , SMAS , Porto :

  • A Memória

Muito antes de se fazer a captação no rio Sousa, e quando ainda não havia abastecimento domiciliário, a população do Porto abastecia-se de água nas fontes e chafarizes que havia um pouco por toda a cidade.

  • O Sítio

As fontes e chafarizes eram abastecidas por vários mananciais, dos quais os mais abundantes eram os de Paranhos, Salgueiros, Campo Grande, Camões, Póvoa de Cima, Cavaca, Fontaínhas, Virtudes, Aguardente e Malmeajudas. A nossa visita é ao manancial de Paranhos que foi, sem dúvida, o mais importante, devido à excelente qualidade e pureza da sua água e "ao seu copioso caudal". Era conhecido, também, pelo manancial da Arca d'Água ou Arca das Três Fontes, por serem três as nascentes de onde a água brotava.

  • O Percurso

A água saía da Arca das Três Fontes, atravessava, por baixo do solo, a antiga estrada de Braga e seguia pela Defesa do Agueto até ao Regado e daqui continuava "alcantilada em arcos" para o Monte Pedral. Por alturas da actual Rua de Antero de Quental (antiga Rua da Rainha) o manancial de Paranhos juntava-se ao de Salgueiros que nasce por ali. Os dois prosseguiam juntos o seu curso, cortando vérios campos até à entrada de Cedofeita, acima do Ribeirinho. Finalmente atravessavam várias propriedades, umas vezes a descoberto outras sob o solo, até aos Ferradores (Praça de Carlos Alberto) e terminava na Arca de Sá Noronha, "junto à Porta do Olival).

  • A História

A mais antiga notícia que se conhece sobre o abastecimento de água à cidade do Porto remonta ao ano de 1392. Segundo a acta de uma reunião camarária, naquele ano os vereadores ocuparam-se dos chafarizes e fontes porque neles "sse ffaziam grandes Çugidoens de muytos lixos..." Ao certo não se sabe quando começou a ser explorada, para utilidade pública, a água do manancial de Paranhos. Mas sabe-se que no reinado de D.Sebastião os moradores do Porto solicitaram do monarca autorização para utilizar aquela água, em proveito da cidade, oferecendo mil cruzados para a ajuda da encanação. Esta petição, no entanto, perdeu-se. Mais tarde foi de novo formulada, agora a Filipe I que despachou favoravelmente em 20 de Novembro de 1597, mandando que se fizesse a obra. É evidente que não há termo de comparação entre o que foi o primitivo encanamento do manancial de Paranhos e o que ele é hoje.»

«Em Porto d'agoa , Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento , Alexandra Agra Amorim e João Neves Pinto , Instituto Superior de Engenharia do Porto

  • O problema da água na cidade do Porto

Este manancial de Paranhos não era obviamente o único que abastecia a cidade, embora fosse o mais importante, e se conhecessem referências, bastante anteriores, à sua localização - em 18 de Abril de 1120, já D.ª Teresa se referia a ele na carta de doação e couto do burgo do Porto passada a favor do bispo D.Hugo, aquando da definição dos seus limites.

A sua importância prendia-se obviamente com a incontestável qualidade das suas águas quando comparadas com as de outros mananciais, e com a extraordinária quantidade disponível. De acordo com a toponímia actual, a nascente estava (e está) situada no subsolo no Jardim da Praça 9 de Abril, mais conhecido como Jardim da Arca d'Água, um local situado nessa altura nos arredores da cidade.

As águas jorravam em borbotões do solo da arca, e seguiam por um aqueduto de pedra em galeria, indo alimentar várias fontes ao longo do seu percurso.

O traçado primitivo era sensivelmente diferente daquele que sobreviveu até aos nossos dias, por ser emparte do trajecto a descoberto e sobre arcos, pela qualidade dos encanamentos e até por ter diferente direcção, como se pode deduzir das palavras do padre Balthazar Guedes na sua memória de 17 de Outubro de 1669, encarregado pelo Senado de dirigir as obras de arranjo do aqueduto de Paranhos: "a agua seguia da Arca das tres fontes, depois de atravessar a estrada de Braga, pela Deveza do Agueto até ao logar do Regado; d'ahi caminhava alcantillada em Arcos pelo Monte Pedral e cortava vários campos até á entrada de Cedofeita acima do Ribeirinho; finalmente, atravessando diversas propriedades umas vezes a descoberto outras sob o solo, avistava a cidade por detraz dos Ferradores, vindo a terminar á Porta do Olival".

Várias vistorias executadas ao longo dos tempos foram dando conta de fugas de água e do mau estado da canalização, obstruída por pedras e raízes de árvores, dando lugar a sucessivas obras de beneficiação. mas em 1825, como a água continuasse a extravasar-se "quer porque as obras tivessem sido mal feitas quer porque o aqueduto não fosse devidamente vigiado e protegido", uma nova vistoria levou a Câmara a decidir não só reformar a Arca como também a modificar o encanamento e o seu primitivo traçado. Nessa altura, preocupada com a possível conspurcação das águas deste manancial, ordenou a passagem dos lavadouros públicos, então existentes a nascente da estrada de Braga, para o seu lado poente, onde ainda hoje se encontram.

Em sessão da Junta das Obras Públicas de 16 de Setembro do mesmo ano foi aprovado o novo trajecto que devia incorporar-se a um outro aqueduto já em construção desde Fevereiro de 1790, o de Salgueiros, com origem na actual Rua de Antero de Quental, próximo à Rua da Constituição, onde existiam diversas nascentes, de modo a fazer a mistura das duas águas, reforçando o caudal disponível.

Conduzidas na maior parte do percurso em caleiras abertas sobre o granito, ou em tubos de ferro ou chumbo, no interior de galerias subterrâneas, e tendo por vezes partes do percurso a descoberto, estas águas chegariam à cidade treze anos depois, às 9 horas e 10 minutos da manhã de 7 de Agosto de 1838...»

Saudações subterrâneas do Francisco.

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