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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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PELOS CAMINHOS DA LIBERDADE (PRAÇA)

O calor sufocante não convidava a ficar em casa. Então, qual andarilho errante, fui dar uma volta (ñ foi ao bilhar grande) à Baixa do Porto. Utilizei o transporte público até ao largo Soares dos Reis, onde funcionou a PIDE de má memória. A partir daí fui, a penantes, calmamente a observar a nobreza dos trabalhos de cantaria nas fachadas das casas da Av. Rodrigues de Freitas - nobres arquitectos do sec XIX e princípios do sec. XX.

Cheguei à Praça da Batalha onde vejo D. Pedro V apaparicado pelo esvoaçar das pombas que lhe fazem guarda com um ou outro pardalito intruso. Nos bancos e cadeiras em redor do pedestal, reformados e outra gente que nunca trabalhou com olhar de carneiro mal morto. Quanto à renovação desta praça, no âmbito do Porto 2001, quem gostar que lhe faça proveito, quanto a mim, vai no Batalha!... Foi mais uma intervenção de tanga!... Baralhar para ficar pior! Filhos dum gaio!... Só sabem gastar o nosso pilim de qualquer maneira.

Enfiei-me pela histórica rua de Cimo de Vila onde abundam as lojas dos chinocas ostentando ainda, à face da rua,  as insígnias da pátria de Camões e outros artefactos nacionalistas ao preço da uva mijona!... Portugal! Portugal!... E entretanto o nosso comércio tradicional a passar as passas do Algarve. À porta da obra social da Ordem do Terço, gente de famílias desestruturadas à espera da "sopa dos pobres". Outrora, nesta rua, por aqui abundavam as garinas que, nos portais, fulminavam com o olhar adesivo e convidativo  os mancebos e outros mais maduros que andavam aos caídos... Era um ver se te avias, portuga, ao preço corrente!...

Desci até à praça Almeida Garret, ainda em obras devido ao metro, e aí fiquei qual patêgo acabado de chegar da parvalheira, a olhar, boquiaberto para a imponência do edifício da Estação de S. Bento que não deixa mechas ao antigo convento Avé Maria que existia nesse mesmo local. Do lado norte da estação, na Rua da Madeira, grupos de gente com ar de ganzados que fazem ali ponto de encontro quando não estão no xilindró. Gente com ar esgazeado que antigamente davam de frosques quando se apercebiam da aproximação dum chui. Agora é tudo baril! Tudo fine, meu!...Aqui observo que as passagens subterrâneas para os peões existente há largos anos no local, foram soterradas.

Uns metros mais à frente entro no local do crime - Praça da Liberdade e Avenida dos Aliados. Posiciono-me, tenso e hirto, no passeio das Cardosas e lanço o olhar avenida acima e aí estremeço e depois fico gélido perante tal carnificina!... Um eirado de cubos graníticos, made in China! É preciso ter estômago!...Mas, volte face,"por momentos fecho os olhos e numa retrospecção, vejo a outra Praça da Liberdade e Av. dos Aliados com os seus canteiros de flores e os trabalhos de grande beleza de calcetaria, do início do século passado. Reformados sentados, em bancos a sério,  vigiavam os netos que brincavam..." Foi uma momentânea miragem.

Outrora esta praça que era de D. Pedro, tomou a designação de Praça da Liberdade para honrar os bravos herois que nela foram enforcados a quando das lutas entre  liberais (D. Pedro)  e absolutistas (D. Miguel).

Pois não direi que igual sorte deviam ter aqueles que fizeram estas malfeitorias, ou que autorizaram, mas que a revolta é grande, lá isso é!...

A renovação da Baixa tem sido muito ventilada nos media e também nos blogs. Cinza Vieira, principal mentor, tem levado porrada grossa e de gente que sabe da poda. Se o homem não gosta das flores é lá com ele. Agora  não queira obrigar os outros ao mesmo diapasão. Quanto a mim, uma vez mais senti necessidade de partilhar convosco este desabafo, de chover no molhado. Quando temos algo para dizer, se lançarmos um grito do epiranga ficamos mais aliviados - é o meu caso.

 

Então com um abraço de liberdade, antonio