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Magistério6971

Os autores deste jornal virtual apresentam a todos os visitantes os seus mais cordiais cumprimentos. Será bem-vindo quem vier por bem.

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Olhar o Porto

Hoje ganhei o dia e vocês vão saber o motivo. 
Saí aqui de casa, em Gondomar e meti pés a caminho até ao Porto. Se vos disser que resido a 200 metros da fronteira Gondomar – Porto, talvez a admiração não seja tanta. Mas a esticadela, a temperatura estava amena, foi até ao coração do Porto, aliás tenho feito isso muitas vezes. O regresso também foi a penantes.
Meti pela marginal e duma assentada passei sob quatro pontes, a do Freixo, S. João, D. Maria e Infante. Fui admirando as escarpas em especial a da outra margem, Serra do Pilar, que vai ser desalojada das construções que por lá se fizeram ao acaso a seguir à Revolução dos Cravos. Já perto dos Guindais, mais propriamente na Gustavo Eiffel, subi a Calçada das Carquejeiras, na imagem,  de forte inclinação que vai até à Alameda das Fontaínhas. A meio, ao cruzar-me com uma senhora com aparência dos setenta a acusar alguma debilidade física, meti conversa e logo eu que sou um bocado para o introvertido:
    - A descer bem vai, minha senhora, o pior é a subir, já aqui vou a suar as estopinhas!... Eu vinha cá a pensar se os carros de bois antigamente subiriam esta calçada...
    - Não, não senhor, aqui subiam as carquejeiras, a minha mãe foi uma delas, que traziam lá de baixo dos barcos rabelos os molhos de carqueja à cabeça e levavam às padarias espalhadas pela cidade.
    - Pois, minha senhora, esse combustível vinha  lá dos meus lados de Cinfães, Marco, Entre-os-Rios e Castelo de Paiva pelo rio Douro.
    - Olhe meu senhor, dizem que agora está mal, mas antigamente é que era!... Eram tempos difíceis. Agora o estado dá dinheiro a esses cavalos, referia-se aos utentes do rendimento mínimo, que não fazem nada.
Quem já alguma vez subiu esta calçada, acreditem que não é sopa, com dificuldade imagina o esforço humano para subir com um molho à cabeça e muitas vezes, segundo me disse a senhora, com um  filho no regaço envolto no avental. Eu que a subi, já não foi a primeira vez,  e só levava na albarda a máquina fotográfica a tiracolo cheguei ao cimo amanteigado!...
Como nota final refiro que esta calçada tinha o nome de “Calçada da Corticeira”. A Câmara do Porto mudou-lhe o nome para “Calçada das Carquejeiras” há poucos anos em homenagem a essas heróicas carrejonas.

 

      Fiquem bem, antonio

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