Os autores deste jornal virtual cumprimentam todos os que passam os olhos por estas páginas.
Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
Uma nevada na cidade

 (Foto no Esteiro de Campanhã, ao Freixo)

 

Neve no Porto, no mês de Maria não é assim muito vulgar, mas as alterações climáticas surpreendem-nos como se viu durante este Inverno sem praticamente uma gota de água vinda lá de cima.

Não, não é neve. Mas se fosse diríamos que todos os anos nesta altura por cá nevava. São uns choupos canadianos que lançam estes polens que causam problemas respiratórios a muitas pessoas. Já há uns anos que está proibida a sua plantação nos arruamentos, não se percebe é como a CMP ainda não mandou abater estas indesejaveis árvores que além do mais são pródigas a rebentar passeios.

 

      (antonio)

 

 



publicado por antonioduvidas às 21:00
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Domingo, 13 de Maio de 2012
41.º aniversário de curso

Caríssimas colegas
É especialmente a vós que me dirijo. É sobre o nosso encontro em Lousada, comemorativo do 41º aniversário do nosso curso. E porquê a vós, colegas de curso do sexo feminino? Por causa dos tacões altos dos sapatos. É só para vos tranquilizar e dizer que as nossas visitas culturais durante a manhã, são feitas de autocarro, gentilmente cedido para o efeito pela autarquia de Lousada. Agradeçamos, pois, ao município de Lousada e ao seu Executivo: MUITO OBRIGADO.

Para mais esclarecimentos, façam o favor de contactar a Comissão Organizadora.


sinto-me: Tripeiro convicto
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Sábado, 12 de Maio de 2012
Pela ruralidade - CXIV(Aves migratórias)

11 de Maio. Durante todo o dia o sol não se viu, mas um calor abafado obrigava os trabalhadores que me andaram a fazer uns trabalhos a de vez em quando beberem umas golfadas de água cristalina da nascente. Este é um privilégio que se usufrui no meio rural, pois que nas cosmopolitas cidades é água engarrafada a pagantes ou da Companhia, como se diz, e que também nos sai do bolso.

Uma outra virtualidade, ganhadora aos citadinos, é sentir a natureza nos mais variados cambiantes. Hoje andei por lá, e já ia com esta afiada, ou agora ou nunca. O cuco já se fazia ouvir, pois claro. O tempo estava de feição para o  pardacento filho dum gaio cucar. E assim as profecias do meu vizinho acerca do cuco mais uma vez caíram por terra, sobre a não vinda.  Já quanto ao atraso tudo fica em aberto.  E as andorinhas, que já são minha pertença pois todos os anos nidificam no alpendre, essas também finalmente já andam na azáfama de reconstruir os ninhos. É um vai vem constante com os seus alegres chilreios logo de madrugada ainda com o lusco-fusco.

Aos sinais da natureza estas aves estão atentas. Só aparecem quando o tempo lhes é favorável. Têm um feed-back  apurado nestas circunstâncias.

Um caso curioso sobre estas duas espécies. As andorinhas e os cucos, mas há mais, chegam ao nosso país na mesma altura, no entanto as primeiras ficam por cá até Setembro, já o malandrão do cuco pira-se muito mais cedo, em Junho ou Julho.

 

 

     Ant. Gonç. (antonio)

 

 



publicado por antonioduvidas às 13:13
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
41.º aniversário de curso

É já no próximo dia 26 do corrente mês de maio que terá lugar o nosso encontro comemorativo do 41.º aniversário de curso. Hoje, dia 10 de maio de 2012, é o último dia para efetuar inscrições. De acordo com o que consta do programa que recebemos, a comissão organizadora precisa de saber até 10 de maio quantos seremos no nosso encontro. É reconhecido que um evento destes requer uma logística afinada e isso só se consegue com tempo. Nesse sentido, colegas, ajudemos as colegas da comissão organizadora, enviando o mais rapidamente possível as nossas inscrições ou falando com outros colegas que ainda não o tenham feito. Eu já me inscrevi. Então até lá.

Saudações tripeiras do Francisco.


sinto-me: Tripeiro convicto
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publicado por Franc às 23:11
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Terça-feira, 8 de Maio de 2012
Olhar o Porto - CXXXVI (A Queima)

 

As massas mais uma vez desceram à Praça da Liberdade. Não era 25 de Abril nem o primeiro de Maio, muito menos vinda do Papa. Era o cortejo da queima das fitas dos estudantes (doutores se faz favor) do Porto. Passei pela Baixa e desta vez não eram as massas trabalhadoras em manifestações mas sim as massas familiares, e um ou outro curioso como eu, que para ali se deslocaram para dar os parabéns ao seu ente estudantil.

 

- Ó mãe eu também quero ver os doutores!... Dizia o puto, irmão mais novo dum dr. que andaria por lá metido no meio do cortejo.

- Eu não "beijo", mãe, eu não "bejo". A progenitora que já tinha vindo de S. Pedro da Cova, estava mais interessada em visionar o seu "doutor" no meio de tanta cartolada: cala-te, ainda te mando uma galheta.O pobre do chavalito que tinha vindo ao mundo no fim da fertilidade maternal, era um pouco anafado. O avô que também estava por ali metendo conversa com um conhecido de ocasião, cacimbado da guerra colonial, pegou no rapaz, pesado como chumbo, e à falta de melhor colocou-o num degrau da entrada da Igreja dos Congregados. O progenitor estava ausente por deveres profissionais.

 

- Abô ele num bai ali, aqueles são todos amarelos e a cartola do mano é azul, côr do Porto!... Tem calma Zéquita, atalhou o solicito avô, ele há-de vir empoleirado na camioneta da faculdade embandeirada de azul e vai-te acenar.

- Ah!...

 

 

É sempre assim todos os anos. Trânsito cortado em toda a Baixa, polícias mais que muitos, e encartolados embengalados felizes num dia especial. E o S. Pedro também deu uma ajudinha, depois de uma manhã chuvosa, a tarde esteve à maneira.

 

 

  Ant. Gonç. (antonio)


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publicado por antonioduvidas às 21:30
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Sábado, 5 de Maio de 2012
Cá e lá

Com o título em epígrafe publicava o semanário “Educação Nacional” em 1898:

««Colhemos d´um jornal do país vizinho os dados que seguidamente transcrevemos, por onde se vê que a Hespanha como Portugal é um dos países mais atrasados da Europa, em matéria de instrucção, não obstante o elevado número de professores que ali existem.

«O censo da população verificado no dia 31 de dezembro ultimo deu o seguinte resultado:

«População total de Hespanha, 18 milhões de habitantes, aproximadamente, nos quaes há 25:000 professores e 44:000 professoras; 48:000 medicos, 1:117 homens e 732 mulheres que se dedicam à litteratura, e 38:000 homens e 52:000 mulheres que pedem esmola!

«Apparecem também 6.400:000 analphabetos, 3.400.000 dos quaes são homens e 3.000:000 são mulheres.

«Tres milhões de mulheres que não sabem ler nem escrever.

«Tres milhões de hespanholas ignorantes e seis milhões de hespanhoes que não sabem ler nem escrever. Por isso eles são governados como idiotas, e levados à urna por dinheiro. Não sabendo ler, também não sabem o que acontece.

«Touros, frades e caciques: eis a Hespanha de 1898.

«E noventa mil mendigos

Embora a percentagem do analphabetimo, na Hespanha, seja assustadora, em Portugal é maior, muito maior, e comtudo os nossos dirigentes não procuram salvar-nos d´essa vergonha, deixando que a nação desapareça envolta no obscurantismo. A origem de todos os nossos males provém única e exclusivamente do atrazo em que o povo se conserva.»»

 

 

   (antonio)



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Terça-feira, 1 de Maio de 2012
Um dos meus 1ºs de Maio

Estávamos em 1972. A situação política no país estava aparentemente serena, mas havia cancros latentes. A guerra nas colónias era um calcanhar de Aquiles para o governo que estava emparedado entre aqueles que eram pela pátria una e indivisível e outros que queriam a todo o custo uma solução.

E o povo o que pensava? Pensava mas não exteriorizava pois o regime estava protegido por uma polícia política que por sua vez também arrebanhava “informadores”. Era neste quadro que se vivia em Portugal onde o povo, cordeirinho manso, só levantava a garupa de maneira incomodativa para o governo, no 1º de Maio. De certo modo nessa data estava moralizado, apesar das proibições, para ir para a rua como acontecia noutros países.

Palco favorito aqui no norte era a Praça da Liberdade, nome sugestivo, e Avenida dos Aliados. Pelo começo da tarde começavam os “indignados” da época a dirigirem-se para a Baixa. E cada vez mais, trabalhadores, estudantes, uns mais politizados que outros, mas tudo irmanado a enfrentar a proibição da comemoração do 1º de Maio. A mole humana começava a engrossar e a polícia estrategicamente tinha carrinhas com agentes nas imediações, Largo dos Lóios, Praça Filipa de Lencastre e Praça de D. João I. Entretanto uma ramona da polícia com um altifalante acoplado no tejadilho subia e descia os Aliados à ordem do temível comandante Major Santos Junior, anunciando alto e bom som que não eram permitidas manifestações e que davam xis tempo para as pessoas dispersarem e a polícia actuaria caso a ordem não fosse acatada. Ninguém arredava pé. Às tantas entra a polícia, cassetetes no ar e era sempre a cascar. No meio da barafunda também havia agentes dissimulados da PIDE/DGS que ajudavam a manter a “ordem”.

Os acontecimentos dos 1ºs de Maio também serviam para lá fora saberem que em Portugal não havia liberdade. A nossa imprensa referia-se, mas não se podia alargar, tinha a censura à perna.

No pós 25 de Abril de 1974 o primeiro de maio tem sido celebrado em liberdade. Sintomático é ver as duas centrais sindicais, defensoras dos trabalhadores como dizem, celebrarem os festejos em separado. Em 1982 ambas as centrais sindicais disputavam a Baixa para o 1º de Maio, a coisa deu para o torto com a polícia a intervir tendo havido dois mortos e feridos. Não se compreende esta desunião sindical.

 

  

      PS: Passei hoje pela Baixa, o cavalo, leia-se estátua equestre de D. Pedro IV, lá está firme como sempre, a Menina Nua entristecida e o Rui Rio feliz,  pois agora os trabalhadores manifestantes do 1º de Maio já não estragam os belos jardins que ali existiam,  foram mandados todos para o rio mas quem devia ir para lá era o Rio (passe a figura de estilo), nhé, nhé, nhé!...

 

 

 

 

    (antonio)


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publicado por antonioduvidas às 13:24
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
A m/memória recordativa

Faleceu um conhecido político, Miguel Portas, fundador do Bloco de Esquerda. Como se viu arrastou de todos os quadrantes políticos um sentimento de admiração pelo seu saber estar na vida, na política.

 

Se uns recordam o político por esta ou aquela faceta eu lembrei-me de uns documentários televisivos que fez há uns anos sobre o Médio Oriente que na altura me despertaram interesse.  Sei que fiquei seduzido pelos saberes que transmitiu nesses documentários.

Era uma pessoa empenhada no que fazia, doce mas forte nas convicções, segundo os comentaristas das várias facções políticas e não só.

 

 

    (antonio)

 

 

 



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Domingo, 29 de Abril de 2012
Pela ruralidade - CXIII( Em Macieira, Fornelos - Cinfães, atentado ao património?)

Estava eu com intenção de elaborar um post sobre “as alminhas” da freguesia de Fornelos quando me apercebo de uma situação de que não gosto.

A imagem é só por si reveladora. Junto a umas alminhas centenárias construir um abrigo para passageiros dos autocarros não me parece a melhor solução. Isto acontece no lugar de Macieira num sítio que foi no passado encruzilhada de caminhos, nomeadamente um, e que aqui já fiz referência em post anterior, pela sua história.  As alminhas são consideradas património artístico-religioso e como tal devia ter havido o cuidado de manter uma certa distância na construção do abrigo. Dizia o Professor Fernando Roque no seu site “As Alminhas são uma das expressões de arte popular portuguesa e são também o reflexo da religiosidade do nosso povo, por isso é necessário que todos interiorizem esta realidade, porque só assim é possível preservar as que ainda existem”.

Certamente que a C.M.Cinfães terá aqui responsabilidades na localização do abrigo que na minha óptica devia ficar mais distante das alminhas. Resta-me aqui destacar a obra meritória da senhora Alice, senhora octogenária ,que desde há muitos anos vai dando assistência a estas alminhas. Dizia-me: foi a minha mãe há muitos anos, que mandou restaurar o painel de azulejos na Ribeira do Porto. Bem haja pelo carinho memorial deste património cultural.

 

  Ant.Gonç. (antonio)



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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
No meu quintal há sapos

 

Ia eu todo lampeiro ao meu pequeno quintal limpar uns ladrões que estavam a desenvolver-se no cavalo por baixo dos garfos no pessegueiro onde tinha feito um enxerto, quando  deparo, entre a sebe de ivónios, um ser vivo a cavalo noutro. Não perdi tempo, fui buscar a máquina para registar o evento. Já tinha visto no Zoo, macaquitos acavalitados nos adultos e também vi há dias na TV uma nave espacial transportada em cima de um Jumbo, mas sapos não. Não vamos aqui especular dizendo que estariam num acto de procriação, penso que não, neste caso o cavaleiro era de pequeno porte, mas como não sou biólogo deixo isso em aberto. Segundo as minhas pesquisas, sapo a cavalo noutro é sinal de chuva.

Sapos no quintal? Como é que eles foram lá parar se o espaço é todo murado? Ao dar a nova fui logo bombardeado aqui em casa,  perante o aparecimento destes seres vivos que causam certa repulsa a algumas pessoas. A sua utilidade nos espaços verdes está em oposição a estórias rocambolescas que desde a minha infância me enchumbaram a cabeça. Eram maledicências que se atribuíam ao sapo. Ouvia dizer, mas nunca fui protagonista da brincadeira, colocava-se um cigarro aceso na boca do animal, o bicho inspirava o fumo consecutivamente e não expirava de tal modo que ia inchando, inchando e às tantas dava um estoiro!... Houve sempre uma catrefa de superstições à volta do sapo nas quais eu não embarco, mezinhas, cozeduras da boca, bruxarias, etc., e aquelas afrontas: ó fulano vais engolir um sapo!

No meu quintal o ambiente está preservado, respeito a fauna e a flora, vivemos em sã convivência. Só os viscosos caracóis é que não têm a minha simpatia, dão-me cabo das pequenas plantas, e daí trato-lhes da saúde , sou pela biodiversidade, mas... 

 

Parafraseando a cantora Maria Armanda," eu vi um sapo!..." Neste caso dois.

 

  Fiquem bem, Ant. Gonç.(antonio)

 

 


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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
Olhar o 25 de Abril

Quando se fala no 25 de Abril os mais maduros identificam o dia, o mês e o ano(1974) embora não esteja explícito. Assim como quando no passado se falava no 31 de Janeiro, não direi todos, mas os oposicionistas ao governo de Salazar identificavam também o ano – 1891.

Estava eu nos começos da minha vida profissional. A escola já não ensinava como no meu tempo da primária, os distritos, caminhos de ferro, serras, rios e que mais direi eu das chamadas províncias ultramarinas, mas ainda dava uma abordagem pela rama. A guerra colonial, nas províncias ultramarinas, como o governo de então dizia, estava já há uns anos em três frentes, Angola, Moçambique e Guiné, a moer os sentimentos do povo português, pois muitos dos seus filhos iam tombando. Nesta situação faltava só o clic, para mais dia, menos dia algo acontecer.

Os militares, e são sempre os militares, já tinham ensaiado um mês antes, indo uma coluna das Caldas para Lisboa. Não teve apoio de mais unidades, foi barrada à entrada da capital e os cabecilhas engavetados. A semente ficou lançada e em breve em todo o país os militares levantaram as armas e apearam o regime vigente, foi em 25 de Abril de 1974.

Na noite anterior tinha-me deitado tarde a ouvir canções da época, entre elas do melodioso Demis Roussos. Não me passava pela cabeça que daí por algum tempo estivesse no Largo Soares dos Reis assistir à rendição da polícia política PIDE-DGS que tinha a sua sede aqui no norte no palacete onde agora funciona o museu militar. Do varandim a antifascista engª Virgínia Moura, o escritor Óscar Lopes e o comandante dos revoltosos coronel Azeredo anunciaram a libertação imediata dos antifascistas ali presos. Entretanto vieram uns camiões militares que levaram os PIDES, creio que para o quartel general da Praça da República, mas em breve foram soltos. Alguns automóveis estacionados na Rua António Granjo, ali ao lado, identificados como pertencentes aos agentes da polícia política, foram incendiados.

Estes foram acontecimentos desta revolução, que vivi, trabalhava ali a dois passos. Nos dias a seguir os lideres estudantis Horácio Guimarães e Pina Moura ligados ao PCP, na Praça junto ao cavalo, leia-se estátua equestre de D. Pedro IV, inflamavam as massas com as conquistas do 25 de Abril. Lá por Lisboa o "educador da classe operária", Arnaldo de Matos, também arrebanhava um grupo aguerrido de esquerdistas, e a aliança Povo-MFA era a bandeira do PCP.  O PS mais moderado  tentava tirar o protagonismo ao partido de Cunhal. E os SUVs também deram que falar!... (Lembrei-me agora destas pontualidades históricas).

De um regime de ditadura passou-se para um regime democrático que, como se tem visto, tem arrastado o país para um destino sem futuro. As pessoas na ditadura não podiam miar, mas na democracia podem berrar mas não têm pão p´ra boca, e desemprego e o estado social em derrocada. Então comemorar o 25 de Abril hoje, talvez sim, talvez não, mais para o não. No passado comemorei-o de cravo na lapela, ou se não foi interiorizei-o, agora já não vou nessa.

 

 

  http://www.youtube.com/watch?v=j5r8rruRhqs&feature=related

 

 

 

 

   (antonio)


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publicado por antonioduvidas às 07:00
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
Pedofilia?

Vem agora o estado-maior da igreja católica portuguesa dizer que no nosso país não tem tido conhecimento de casos de pedofilia mas, no entanto há que precaver estas situações, dizem. Isto chama-se um falar politicamente correto como convém.

 

Eurico Dias Nogueira que foi arcebispo de Braga, portanto fora dos corredores do poder eclesiástico, não alinha pelo mesmo diapasão. Disse para quem quis ouvir na televisão que na diocese de Braga houve casos de pedofilia com sacerdotes, que mesmo quando chamados à pedra, continuaram nas maledicências.

 

Pelos vistos a igreja não sabe de nada, ou se sabe prefere não fazer ondas.

 

 

   (antonio)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por antonioduvidas às 08:00
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Domingo, 22 de Abril de 2012
Olhar o Porto - CXXXV(Esteiro de Campanhã)

Quem sou eu para falar aqui da crónica deste domingo de Germano Silva no JN, a não ser concordar com relatos históricos de tão sabedor cronista!

A crónica  diz-me particularmente, pois resido nas imediações do local abordado – o esteiro de Campanhã. Esta zona do Freixo no passado era movimentado, local onde se faziam as cargas e descargas de carvão e madeira como diz o cronista. E agora vou aqui também eu dar o meu contributo no que respeita ao frenesim daquele sítio.

Pelos anos trinta e quarenta do século passado o movimento dos barcos rabelos estava ainda em força. Um tio meu, negociante de gado vacum, fazia a feira de Cinfães onde comprava vitelos que daí vinham nos rabelos para o Porto. Era precisamente no Esteiro de Campanhã que eram desembarcados, seguindo depois, conduzidos por tangedores, para o matadouro da Corujeira. É do senso comum o conhecimento dos rabelos no transporte do vinho do Porto, rio abaixo a partir do Alto-Douro. Mas não só, esses barcos transportavam tudo incluindo passageiros. A minha falecida mãe em jovem veio no rabelo passar uns dias de praia, na Foz. Como é que os vitelos vivos eram transportados nesses barcos é que me causa alguma interrogação, mas que vinham, não há dúvida. Na altura do S. João lanígeros e caprinos também eram transportados. Outros tempos, outras estórias como diz o autor do programa Caminhos da História, no Porto Canal.

 

 

 (antonio)



publicado por antonioduvidas às 16:32
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Já que o cuco não canta, cantemos nós!

 

 

 



publicado por mbenilde às 16:03
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Sábado, 21 de Abril de 2012
Pela ruralidade - CXII(A instrução primária em Sinfães)

 

Com este título em epígrafe  no ano de 1898, Carlos Soares, que foi professor em Moimenta e mais tarde presidente da CMC,  escrevia para o semanário “Educação Nacional” um artigo sobre as escolas de Nespereira.

 

 

 

 

 

“… A do sexo feminino foi creada pela camara municipal em 9 de março de 1882 e, não  obstante a freguesia ser uma das mais populosas do concelho, a casa onde está instalada a escola, com sede no logar da Granja, mais parece uma pocilga destinada a abrigar animaes imundos que um templo onde residentes criancinhas vão procurar o seu desenvolvimento physico e psychico. Basta enumerarmos as suas dimensões para todos se convencerem de que não há exagero na nossa afirmativa. Tem 4m de comprimento por 4m de largura ou sejam 16mq de superfície, e 3m de altura a que corresponde uma cubagem de 48 metros!

 

Numa escola com taes dimensões, com uma só porta e uma só janela, e com uma frequência de 40 alumnas não se vive, vegeta-se. É, além d´isso, um perigo que ameaça constantemente a saúde das creanças e da professora, e é a origem do definhamento e de muitas doenças de que enferma a nossa sociedade actual.

 

A mobília, para tudo estar em harmonia, reduz-se a duas mesas de 2,m5 de comprimento por 0,m6 de largura uma e 0,m5 outra, uma mesa de dimensões mais pequenas ainda, três bancos sem encosto, uma carteira, uma cadeira de pinho e um quadro preto de 1m por 1,m25.

 

No presente anno lectivo não foi organizado o recenseamento das creanças em edade escolar; matricularam-se 41 alumnas e d´essas, ultimamente, só frequentavam regularmente a escola 31!

 

Tem a professora d´esta escola, que a rege quasi desde principio, habilitado algumas alumnas para exame elementar, mas nunca o chegaram a fazer pela reluctancia que os paes sempre mostraram, oppondo-se a isso, e hoje muito mais, devido á odiosíssima contribuição que sobre eles pesa – a propina.

 

Passando agora á escola do sexo masculino com sede no mesmo logar da Granja, de que não podemos precisar a data da creação, sabemos pelos dados obtidos que as suas dimensões são: 20m de comprimento e 8 de largu ra ou seja 160mq de superfície, e 8m d´altura a que corresponde uma cubagem de 1280m! Se uma pecca por falta, a outra pecca por excesso. Emquanto a primeira pode comportar apenas 46 alumnos, a segunda pode receber 160!

 

A mobília para este enorme salão, que apenas tem duas portas de loja e cinco janellas, resume-se no seguinte: uma mesa pequena e uma cadeira para o professor; uma mesa de maiores dimensões onde os alunos escrevem, quatro bancos em mau estado para se sentarem e, como utensílios escolares, apenas um quadro preto! Admiravel contraste.

 

O numero de creanças recenseadas ascende a 210 e d´essas matricularam-se 92, e frequentam regularmente 36! Eis no que deu a obrigatoriedade do ensino, e muito mais desde que está em vigor a actual reforma primaria que fez baixar enormemente a frequência escolar em todas as localidades.

 

O actual professor, geralmente bem quisto por todos os colegas do concelho, que o nomearam seu representante ao 3º congresso da classe, realizado no Porto, tem habilitado alguns alunos para o exame de admissão aos lyceus, ficando aprovados, e, quando professor em Tarouquella, igualmente propoz alguns a exame elementar que obtiveram boas classificações.

 

A largos traços descrevemos o estado em que se encontram as escolas de Nespereira; reservaremos o nosso juízo final para, quando concluirmos a nossa tarefa, mostrar a quem cabe a responsabilidade do ostracismo a que  tem sido  condemnada a instrucção no concelho de Sinfães.”

 

 

 

     PS: Este post é para todos aqueles que se interessam por estas coisas da educação,  em especial para o caro Maurício Branco que tem algumas raízes  em Nespereira, diria tétricas, um jazigo de família, como anteriormente me disse.

Se nos detivermos no número de crianças que havia nesta freguesia e as que agora haverá, (seria interessante sabermos quantas crianças existem actualmente nesta freguesia) constatamos a forte baixa de natalidade. Portugal caminha a passos largos para ser um país de velhos. E então com a ajuda deste governo, dizendo para os jovens emigrarem!...

 

 

 

  (antonio)

 



publicado por antonioduvidas às 08:00
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