Certamente quem eventualmente passe por aqui os olhos já teve esta mesma experiência. Quando se vai a um consultório médico ou laboratório de análises clínicas há sempre aquele compasso de espera que tanto maior é quanto mais pontual for o cliente, como é o meu caso. Então estar ali sentado à espera que saia é uma seca dos diabos!... Deitei o olhar em volta e lá está a mesinha a um canto com revistas da “societé” velhinhas na data mas não nos conteúdos. Peguei numa delas e helás logo na capa era anunciada uma entrevista a Helder Pacheco, historiador da cidade. A minha curiosidade afilou-se para o que diria esta personagem que trata por tu o Porto. O pensamento crítico de Helder Pacheco sobre as malfeitorias que se têm feito à cidade é conhecido. Ele próprio que se intitula um indígena nascido na freguesia de Vitória sabe que a cidade está a precisar de um abanão agora em sentido inverso ao que lhe foi dado a partir dos meados do século passado com o despovoamento do centro. Fala nos muitos cafés que foram fechados para virar bancos e que eram pólos aglutinadores de pessoas que contribuíam para a vida na cidade. E agora até esses balcões da banca estão fechados! Diz que o portuense tinha três sítios importantes na sua vida: o trabalho, a família e o café. Havia também, digo eu, local de lazer que assisti nos meus verdes anos, o portuense à noite ia com a família ver as montras da Baixa, dar o passeio dos tristes, era o slogan que se ouvia com ironia. Os manequins masculinos com as roupas da moda (Miura e Levis) e os femininos com as lingeries da época e corte de cabelo à Beatriz Costa, eram admirados.
Hoje a cidade à noite está deserta e isso cria insegurança até porque também não há policiamento visível, as centralidades foram erradamente deslocadas para outros locais da moda “shoppings”.
Fiquem bem, antonio
Estou a chegar do cinema. É claro que já é quinta-feira, dia 19 de Novembro, e já foi ontem, dia 18 de Novembro que fui assistir à anteestreia de Julie & Julia. Foi um convite duplo que ganhei por ouir a Rádio Renascença e foi um serão bem passado. Explico porquê. Estou a escrever num blog, no blog que eu criei e a Julie modificou a sua vida por causa do blog que criou. O blog que a Julie criou abordava temas gastronómicas e muito especialmente os da famosa Julia Child. Esta, por sua vez, já uns anos antes tinha modificado a sua vida devido à publicação de um livro de cozinha. Resumindo, recomendo o filme a quem se quiser alhear da violência, do sexo, da acção, da ficção e do drama ou da tragédia. É que ainda por cima não deixa de ter cenas cómicas ou caricatas. E para os aguçar o apetite, aqui têm o link. Saudações tripeiras do Francisco.
| Julie & Julia |
Hoje o dia é dedicado ao não fumador e à defesa dos seus direitos.
| PÚBLICO |
O senhor Manuel era um caseiro que mais a patroa e os dois filhos já espigadotes fazia umas terras de seis carros de milho, uma leira de centeio e até há pouco um campo de linho, mas como este era muito trabalhoso deixou-se disso. Tinha já trabalho de sobra pensava uma égua, filha de campeão como garbosamente o senhor Manuel destacava, sempre bem calçada, para ir às festas das redondezas, era um ferrinho como ele dizia, ao S. Macário, à Santa Eufémia da Carriça e ao S. Domingos da Serra. Também tinha ovelhas, cabras, dois cevados, aves de capoeira e sobretudo três vacas de raça arouquesa. Assim quando uma destas estivesse prenha no fim do tempo e por conseguinte não se podia apor ao carro sobravam as outras para ajudar nos trabalhos agrícolas. Era gado de bom rendimento, andavam ao boi no tempo certo e “agarravam” com facilidade. O senhor Manuel ciclicamente fazia umas notas na feira de Nespereira com a venda dos bezerros, apenas um senão, tinha de repartir com o patrão, dono das terras e do gado.
Quando no fim do Verão o penso escasseava era habitual levar o gado para rapar no campo do restolho onde havia alguma ferrã. Como nos humanos o seguimento dos mais velhos era também apanágio nestes animais, a vaca maior era seguida pelas outras. Era uma vaca corpulenta com as gaitas reviradas, molengona no andar, mas possante ao carro. Aqui há que referir que o campo estava a ficar eirado e então o apetite natural do gado para lambarar no terreno verde ao lado. Para desmotivar essas eventuais escapadelas o senhor Manuel colocava uma “tamanca”(ver imagem) numa das “mãos” da vaca patriarca, fazendo-lhe peso, para assim lhe refrear alguma cobiça ao pasto verdejante do vizinho. Por analogia podemos referir que para os equídeos havia as peias(correntes de ferro) e para as ovelhas e cabras as traves(tira de barbante ou couro).
Fiquem bem, antonio
Esta é uma doença crónica que afecta muitos portugueses. Hoje, dia 14 de Novembro, é o dia destinado a lembrarmo-nos desta doença e a pensar nos doentes afectados pela mesma no sentido de procurarmos rectificar a nossa alimentação e aumentarmos o exercício físico e, assim, prevenirmos a expansão da doença. Saudações tripeiras do Francisco.
| PORTAL DA SAÚDE | ASSOCIAÇÃO DE DIABÉTICOS |
Já por aqui falei que a carreira do Escamarão transportava no tejadilho toda a sorte de mercadorias até algumas de inusitadas dimensões. Nos meados dos anos sessenta do século passado andava eu às voltas num Externato de Castelo de Paiva a preparar-me para o antigo 5º ano, a tropa estava à bica e o curso na EMPP foi só depois de passar à peluda chegado de Angola são e salvo.
A agricultura no país estava ainda no auge, as fronteiras estavam fechadas de modo que quanto mais se produzisse tanto melhor, o consumo interno assim o solicitava. Os trabalhos nos campos eram de sol a sol e até muitas vezes de noite no tempo das regas ou altas madrugadas para ir para a roça no monte (ver link). Não havia pequena leira que não estivesse cultivada, sendo o milho a cultura predominante. O meu pai tinha ido à feira quinzenal a Castelo de Paiva e encomendou a feitura de um semeador ao serralheiro que embora não fizesse a feira, tinha a oficina nas imediações da vila. Era figura conhecida, pai de um padre que mais tarde deu o fora.
Daí por uns tempos o frete ficou cá para o rapaz de fazer chegar lá à terra o semeador. Eu e o meu colega Azevedo, um crânio sobretudo na Matemática que se formou em engenharia, a quem pedi ajuda fomos buscar a cerca de um quilómetro o referido apetrecho agrícola que conduzimos, ele à frente a puxar e eu na condução (tem duas rodas de ferro) até ao centro da vila, local da paragem da carreira do Escamarão que vinha do Porto. Através da escada da retaguarda lá se carregou o dito pela mão eficiente do cobrador de sempre Sr. Sebastião, foi até ao Couto de Souselo fazendo aí transbordo para outra camioneta que fazia carreira para a minha terra. A coisa era gira, encostavam-se as duas lado a lado na estrada, quem viesse que esperasse, e as mercadorias eram transferidas dum tejadilho para o outro.
O meu pai e o caseiro estavam à espera lá na terra e ajudaram a fazer chegar ao macadame o tão desejado semeador. Podemos agora gracejar dizendo que era tecnologia de ponta para a época, vê-se na imagem e está agora a dormir num sono eterno não por inoperância pois está funcional, mas porque as terras já não são trabalhadas. É uma das peças carinhosas do “meu museu” por aquilo que acabo de descrever.
Fiquem bem, antonio
É verdade. Hoje é dia de São Martinho. Pois é. É em 11 de Novembro. Então, bom proveito para as castanhas, bom vinho tinto e, já agora, jeropiga.
Saudações tripeiras do Francisco.
Por enquanto tudo ao molho, estou numa fase de recolha. O carro das vacas carregado de tralha onde se destaca o balde do porco. Em primeiro plano uma avantajada panela de três pernas que dava muito jeito a quando da matança do cevado.
(antonio)
Faz hoje, precisamente, 20 anos que caiu o muro de Berlim. Caiu porque foi derrubado, entenda-se. É uma efeméride importante. É a História Contemporânea a desenrolar-se e uma página importante da História da Humanidade.
| Sapo.pt | Rádio Renascença |
Saudações tripeiras do Francisco.
Meus amigos
Vamos lançar aqui os provérbios relacionados com o São Martinho?
Então eu vou já dar o exemplo e deixo aqui estes.
Ora a história que vos vou contar teve como cenário precisamente o tal cubículo fotográfico. Frequentávamos o 2º ano do nosso curso e, para o nosso livro de curso, precisávamos de duas fotografias. Um belo dia, eu e a nossa colega Rosa Esperança, decidimos constatar a eficácia da máquina. Em termos económicos traria vantagens, assim como ficaríamos portadoras de imediato das tão precisadas fotografias. Matematicamente falando a máquina tirava quatro. A nossa intenção era com a mesma quantia, cada uma usufruir de duas. Até aqui tudo certo. Então, amigavelmente delineamos a nossa estratégia. Uma entrava no cubículo e tirava duas fotos e, no curto intervalo entre os flashes, saía a fim de outra rapidamente tomar o seu posto e completar o projecto previamente definido. Só que o plano não resultou. A certa altura, numa grande confusão, agarradas ao pescoço uma da outra, numa luta de sobrevivência, fixávamos juntas o pequeno ecrã, que segundo a segundo, registava a nossa triste figura. Foi um dia inesquecível! Foram momentos tão divertidos que jamais serão esquecidos. E para perpetuar, ainda hoje mantemos em posse as quatro peças tão macabras. A contabilidade efectuada, a custo reduzido não se verificou, porém ficou esta história para relembrarmos com saudades. Com saudações serranas.
Penso que todos se devem lembrar de um “estúdio fotográfico” existente na estação de S. Bento onde se tiravam fotografias à la minute, com o valor de uma simples moeda que não sei precisar de quanto. Naquele tempo era um fenómeno, uma revolução, um tal nunca visto.
Olá Benilde. Sê bem-vinda.
Parabéns por te estreares a publicar aqui neste nosso espaço e logo com texto e imagem no primeiro artigo. É assim mesmo para fazeres ver. Boa. Parabéns, mais uma vez e continua. É certo que quem porfia sempre alcança, não é? Sabes o que podias fazer de seguida? Eu digo-te. Podias conseguir que outras nossas colegas e tuas conhecidas fizessem o mesmo que tu fizeste. Yes, you can. Vá lá.
Saudações tripeiras do Francisco.
Hoje chovia cats and dogs, mas não o suficiente para me privar de calcorrear os campos e montes à busca destes tão apetitosos cogumelos.
A imagem mostra-nos dois apetrechos feitos de cortiça mas com finalidades diferentes. O maior, barreleiro, que encontrei há dias numa casa abandonada a cair aos bocados, outrora abrigando gente, casa de caseiro, onde estava todo espatifado, desengonçado que nem uma minhoca, cheio de teias de aranha e toda a sorte de lixo. Foi um achado e como ando numa de recolha de “velharias” recolhi-o e tratei de lhe dar a primitiva forma segurando-o com cravelhas. O barreleiro era onde se faziam as barrelas que era nem mais nem menos do que uma operação de branqueamento, com cinza e água a ferver, das roupas brancas normalmente de linho que estivessem encardidas. Era uma máquina de lavar do tempo das nossas avós…
Quanto ao irmão mais pequeno, é o tradicional cortiço das abelhas agora também já substituído pelas colmeias móveis de madeira. Pontualmente ainda se encontram nalguns sítios com a utilidade para que foram feitos.
(antonio)
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